MARIA COSTA

O caso da entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital da Caixa Económica Montepio Geral promete ser um dos temas escaldantes do início de 2018.

Governo e Banco de Portugal tentaram, ao longo de 2017, convencer a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a entrar no capital do Montepio. Enquanto o Provedor foi Santana Lopes, este fez depender uma eventual operação da existência de uma auditoria que ainda não está concluída.

Com a mudança do Provedor para Edmundo Martinho, um ‘quadro’ próximo do PS, este diz agora que a decisão do investimento da Santa Casa no capital do Montepio deverá ser tomada no início de 2018, e adianta que o processo está numa fase final da avaliação.

Ou seja: o Governo, que apregoou ter resolvido em 2017 a situação de crise da banca nacional, acaba por entrar em 2018 a tentar “salvar” o Montepio à custa da Misericórdia de Lisboa e dos contribuintes.

Este caso ainda fará correr muita tinta, pois se muitos percebem o benefício para o Montepio em ser capitalizado em mais 200 milhões de euros, quando não existe uma auditoria que proporcione uma verdadeira radiografia da situação financeira do banco, já do lado da Santa Casa não se entende qual a vantagem em termos de cumprimento do seu objecto social.

Também no início de 2018, com o retomar dos trabalhos parlamentares, o ministro Vieira da Silva e Edmundo Martinho vão ter de dar explicações aos deputados.

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