MARTA BRITO

O comentador televisivo que marcava a agenda política e dava notas aos políticos, colocando-se já num patamar suprapartidário, era em 2016 um candidato natural à Presidência da República: quando deu início à campanha eleitoral, era evidente que durante uma vida se tinha preparado para o cargo. O seu estilo, que inaugurou uma nova era na Chefia do Estado, ficou traçado quando, uma vez eleito, entrou no Palácio de Belém subindo a pé a rampa de acesso.

Durante largos anos, Marcelo entrou pela casa dos portugueses semanalmente, e a sua influência na sociedade portuguesa era enorme. Dois anos depois da sua eleição como Presidente da República, a 24 de Janeiro de 2016, é impossível não se recordar que como comentador político era o Professor que explicava todas as semanas, e com enormes audiências, os vários episódios da vida política em tom coloquial e familiar, e que a sua opinião marcava em muito o arranque da semana política.

Já então assumia uma postura de afecto, que em boa medida é uma faceta da sua personalidade.

Durante anos, deu mesmo ‘notas’ aos vários políticos no activo, uma forma inevitável de se colocar num patamar suprapartidário, precisamente uma das características imprescindíveis a um Presidente da República.

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  • Fernando Teixeira

    Infelizmente, para mal dos meus pecados, não só subscrevi a candidatura como votei nele, do que muito me arrependo. É curioso verificar que, na História da Democracia Portuguesa, só Cavaco Silva conseguiu ser Primeiro-Ministro com 2 maiorias absolutas de um só partido, como, apesar de muito vilipendiado e da lama que quiseram atirar-lhe para cima, foi por 2 vezes eleito Presidente da República com maioria absoluta e à primeira volta. Todos os outros PR, incluindo o actual, falharam a conquista do lugar de primeiro-ministro de um só partido, e outros nem em coligação. Com selfies e beijinhos, este PR já lá está mas voto meu nunca mais verá. Quem o chamou de “cata-vento” acertou na mouche, limitou-se a dizer, alto e bom som, a verdade.