‘Buraco’ bancário vai custar 24 mil milhões a todos nós

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Desde 2008 até hoje, o Estado (isto é, todos nós, contribuintes) injectou 18,774 mil milhões de euros em cinco instituições bancárias, numa tentativa para as livrar da falência e evitar o desmoronamento do sistema financeiro nacional. Cada português já “contribuiu” à força com cerca de 2.000 euros para esta desbunda. Mas não acaba aqui: mais 5,5 mil milhões em “balões de soro” estão previstos para os próximos tempos, o que elevará a factura total a 24,296 mil milhões de euros. Pelo menos…

As contas são fáceis de fazer – mas a classe política e os comentadores profissionais do sistema gostam de complicá-las, talvez na esperança de que ninguém acabe por entendê-las.

Na base destas injecções de dinheiro em instituições bancárias que há dez anos ainda mostravam considerável solidez financeira estão políticas de gestão desastrosas (e, em alguns casos, criminosas) que incluíram a concessão de créditos exorbitantes a quem nunca poderia pagá-los de volta. Assim, fazer as contas ao dinheiro já derretido nestes bancos é fazer, ao mesmo tempo, o processo daquelas políticas, que contaram com a cumplicidade de banqueiros, gestores, assessores e governantes.

A tentativa de salvar estes cinco bancos custou ao País uma fortuna que daria para endireitar de novo a economia nacional. Mas, na maioria dos casos, apenas se conseguiu tapar o “buraco” aberto e evitar que a falência contaminasse todo o sistema financeiro português: feridos de morte, acabaram por soçobrar engolindo a última injecção de dinheiro, restando hoje a CGD e o periclitante NOVO BANCO.

• Leia este artigo na íntegra na edição em papel desta semana já nas bancas