Combustíveis: medidas de emergência

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À hora de fecho desta edição o Governo preparava, segundo anunciou António Costa no Parlamento, medidas de emergência para travar a subida do preço dos combustíveis e apoiar o sector dos transportes, cujas empresas são particularmente afectadas.

Trata-se de “medidas «transitórias” para mitigar os efeitos da crise dos combustíveis, a qual deverá prolongar-se até Março de 2022, pelo menos – especificou Costa. O chefe do Governo afirmou, no Parlamento, ter “a noção mais precisa” de que “esta crise é transitória mas vai durar ao longo dos próximos meses”. 

Já se encontrava fechada a página 5 desta edição quando Costa garantiu na Assembleia da República que o Governo está a trabalhar em conju nto com a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTRAM) e a Associação Nacional de Transportes de Passageiros (ANTROP). O primeiro-ministro partiu para Bruxelas logo após o debate, para participar no Conselho Europeu, não sem antes garantir que as medidas concretas a tomar pelo Executivo português também dependerão daquilo que for discutido na referida reunião, que decorre até hoje, sexta-feira.

No plenário, Costa vincou a necessidade de a União Europeia (UE) reduzir a dependência energética face à Rússia – em linha com o que têm defendido a NATO e os Estados Unidos – ou à Turquia. Para o primeiro-ministro, a solução passa por aumentar conexões com países como Marrocos, que podem “contribuir decisivamente para abastecer a Europa”.

Longe do hemiciclo, o ministro das Infra-Estruturas, Pedro Nuno Santos, e o secretário de Estado de Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, já se haviam reunido com dirigentes de associações representativas das empresas de transportes públicos e de mercadorias. Por seu turno, o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, reconheceu que “há sectores mais afectados do que outros. Não pode ser posto em causa aquilo que é, por exemplo, a utilização do transporte colectivo”.

Em declarações ao jornal ‘i’, “vários postos de combustíveis” admitiram “fechar as portas caso o Governo volte mexer nos impostos sobre os combustíveis”. E justificaram: “Em 10 euros, 60% vão para o Estado, 37% estão nas mãos das petrolíferas e cerca de 3% dizem respeito às gasolineiras, que com essa margem têm de pagar salários, rendas, entre outros custos. Se o Governo for mexer nestes 3%, mais vale fechar porque deixamos de ter qualquer lucro”. ■

Ler mais sobre o tema na página 5 da edição em papel