Comunistas mataram a greve dos motoristas

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A assinatura de um acordo entre os patrões da Antram (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias) e a organização sindical pró-comunista Fectrans (Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações), a meio da semana da greve dos motoristas, veio a ‘matar’ efectivamente a paralisação, que foi desconvocada depois de um plenário realizado domingo à tarde. Uma nova greve está em preparação, mas já sem o impacto da anterior.

A ‘poderosa’ Fectrans integra a CGTP, o braço sindical dos comunistas, e é uma Federação com um histórico negocial estruturado, ao contrário do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), que esteve na origem do episódio de Abril e desta greve de Agosto, mas que chegou à vida sindical muito recentemente.

A greve durou sete dias, mas apenas se arrastou mal a Fectrans assinou um acordo com os patrões. Na realidade, verificou-se uma efectiva ajuda do sindicalismo comunista ao Executivo de Costa, na linha do suporte que o PCP deu durante estes quatro anos de toda a legislatura.

O Governo cantou vitória com o levantar da greve, mas em todo o processo fica um dado por ser esclarecido sobre os vencimentos dos motoristas. Estes chamaram a atenção para o facto de ‘parte’ do seu vencimento ser pago ‘por fora’, o que os prejudica em termos de reforma e nas baixas por doença. Face a uma evidente situação de fuga fiscal – que envolve patrões e trabalhadores – nada foi dito pelo Governo, o que é muito estranho. Neste momento não se sabe o que pensa a Autoridade Tributária sobre a matéria, ou se o Executivo tenciona actuar.

Já no início desta semana, o SNMMP afirmou que “aquilo que já foi alcançado e que serve de base para as negociações não garante por completo o fim dos esquemas salariais que são conhecidos”, com cláusulas e subsídios, que prejudicam os trabalhadores e o Estado e beneficiam apenas as empresas. “Estamos certos de que a razão está do nosso lado, vamos assumir o nosso lugar à mesa das negociações no calendário definido pelo mediador e já aceite pela Antram, preparando desde já um caminho que permita aproximar todos os motoristas das suas reivindicações”, lia-se no comunicado.

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