Contas de Isabel dos Santos já tinham sido esvaziadas

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Quando, no início desta semana, o juiz Carlos Alexandre determinou o arresto de cerca de 30 contas bancárias de Isabel dos Santos em Portugal, já essas contas estavam reduzidas a pequenos saldos residuais. Assim, em vez de ter “congelado” os dois mil milhões de euros que a Justiça angolana esperava encontrar, a ordem judicial apenas encontrou alguns milhares de euros. Entre o início do escândalo e a ordem judicial desta semana, o dinheiro “voou”.

A ordem de arresto, assinada por Carlos Alexandre, correspondeu a um pedido do Supremo Tribunal de Justiça de Angola. Em causa estavam as contas bancárias pessoais de Isabel dos Santos, bem como de várias empresas ‘offshore’ cujas contas estavam em Portugal, alojadas no Eurobic, Caixa Geral de Depósitos, BPI e BCP.

Ao mesmo tempo foram também congeladas as contas do marido de Isabel dos Santos, Sindika Dokolo, e de Paula Oliveira, amiga da empresária, que também foi constituída arguida em Angola. A SIC Notícias apurou que o arresto afecta não apenas a empresária, mas também portugueses próximos da filha do ex-ditador de Angola, como Mário Leite da Silva, braço direito de Isabel dos Santos em vários negócios, e Jorge Brito Pereira, advogado da empresária há vários anos.

O jornal Eco recordava esta semana que o bloqueio das contas, que engloba a execução de ordens de pagamento de salários, rendas, impostos, fornecedores e honorários de advogados, poderá pôr em causa o pagamento dos empréstimos da empresária em vários bancos nacionais.

O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou em 19 de Janeiro mais de 715 mil ficheiros que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e de Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

• Leia este artigo na íntegra na edição em papel desta semana já nas bancas