PAULO COSTA PEREIRA

A esquerda não se cansou de criticar o antigo Governo por se dar bem com a República da China – mas agora está a fazer ainda mais negócios e negociatas com os chineses: António Costa assina qualquer acordo que faça entrar dinheiro chinês em Portugal. A diferença que fazem dois anos no poder…

Caiu o Carmo e a Trindade quando o Governo de coligação PSD/CDS-PP anunciou que ia concretizar alguns negócios com a China, incluindo privatizações. A esquerda fez um reboliço sobre o tema e a imprensa todas as semanas massacrava Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Pediu-se a demissão do Executivo. Nas páginas de opinião, os comentadores do regime quase exigiam que a dupla governativa fosse julgada por traição à pátria.

Entretanto, António Costa anda há dois anos a fazer negócios ainda mais profundos com a República Popular da China, e o silêncio é quase sepulcral – excepto na China, onde António Costa deu o ano passado uma entrevista à Televisão Central Chinesa (CCTV), um organismo semioficial do Partido Comunista daquele país, onde afirmava de forma apaixonada a “vontade de participar activamente” na grande ofensiva comercial chinesa que tem estado a desenrolar-se nos últimos meses, e também anunciava com felicidade que “em breve vamos ter ainda maiores projectos de cooperação”. Ambos os lados estiveram a laborar activamente em 2017, contando sempre com o silêncio da sociedade portuguesa.

Todos muito amigos

O embaixador chinês em Portugal, Cai Run, declarou em Novembro que “os contactos a alto nível estão muito frequentes e a confiança política entre os dois países tem sido reforçada”. Até mesmo o Partido Comunista Português se está a envolver para não perder mais território para Costa, tendo revelado que em Dezembro uma delegação foi à China explicar “a luta dos comunistas portugueses” e confirmar “a vontade de prosseguir o aprofundamento das relações bilaterais no interesse dos dois povos e países”. Os bloquistas, que tanto criticaram o regime chinês, estão agora silenciosos.

Em termos de acordos recentes, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, já apresentou a proposta aos chineses para adquirem uma parte significativa do porto de Sines, que representa mais de metade do tráfego portuário do País. A governante aplaudiu os esforços dos chineses para criar uma nova “rota marítima da seda” e a posição central que Portugal supostamente desempenhará neste projecto semi-colonial da República Popular.

Foi também assinado um mega-acordo entre os dois países, segundo o qual as empresas públicas de transportes — as tais que Costa tudo fez para manter públicas, mesmo com prejuízo para os contribuintes — vão colaborar para explorar os mercados africanos e latino-americanos.

Os chineses entram com o dinheiro, os portugueses fazem as apresentações, e no fim os chineses provavelmente compram as empresas públicas portuguesas.

“Portugal já mostrou que é um parceiro de longo prazo nos países de língua portuguesa em África e, por isso, com a República Popular da China, somos o parceiro que tem as melhores condições para a abordagem a estes mercados” – afirmou o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, numa declaração que, em tempos, levaria logo a uma manifestação do Bloco de Esquerda.

Estes são apenas dois exemplos dos muitos acordos realizados e apalavrados de forma pública, ou em surdina, pelos líderes da esquerda que “crucificaram” os seus antecessores por terem feito muito menos.

Entretanto, o Governo abriu completamente a porta ao investimento por parte da máquina económica chinesa, controlada directa ou indirectamente pelo Partido Comunista, que já totaliza nove mil milhões de euros.

Não há almoços grátis

Todo este dinheiro, no entanto, não vem a custo zero. Setenta por cento dos controversos “vistos gold” têm como destino cidadãos chineses e, apesar de o PS ter sido um crítico acérrimo dos mesmos, o número de emissões deste tipo de visto especial aumentou 15 por cento face ao ano passado.

Entretanto, na comunicação social chinesa vão sendo passadas mensagens para o regime português. Numa peça de “opinião” na Televisão Central Chinesa (CCTV) — sendo que tudo o que os órgãos de comunicação social daquele país afirmam é aprovado pelos controleiros do Partido Comunista — datada de 30 de Novembro, a mensagem é clara: “Portugal foi o país da União Europeia com a maior proporção do PIB nacional com origem em investimentos chineses”.

Logo, segundo a TV da China comunista, há a necessidade de António Costa desbloquear a presença chinesa na Base das Lajes, até porque “a China é o novo poder com o qual se podem concretizar verdadeiros negócios e negociações”. A mensagem, à boa forma comunista, foi enviada “de mansinho”. Nesta fase…

O primeiro-ministro já tinha sondado a possibilidade de vender ou concessionar a base açoriana aos chineses no início do ano passado. “Estamos abertos a colaboração com todos os parceiros, incluindo com a China” – afirmou o primeiro-ministro de Portugal.

Costa acabou por recuar face a uma oposição determinada dos EUA, mas a pressão do poder chinês em Portugal é cada vez maior, e a prenda de Natal que desejam em 2018 é a Base das Lajes. Eles começam mesmo a mandar em nós.

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  • Steven Seagal

    O Costa usurpador vai deixar que a China nos invada com a sua tropa de gajas todas boas !

    https://www.youtube.com/watch?v=PADQzcPuxjM

    • AX

      O Comuna moderno é conquistado pelos tomates, mostra lhe um exercito de mulheres e ai está ele todo pimpão. E pensa que é esperto, o pimpão…

  • Paulo Reis

    A esquerda e a extrema esquerda portuguesas não tem valores morais. Ora se unem para aprovar o OE, ou tem discursos diferentes para cada um ficar bem com os seus eleitores. As relações de amizade e de união estão sempre a ser abaladas pela relação de cada partido com os seus simpatizantes. Vemos que o que os mantêm agarrados é o anseio pelo poder. Mas nesse só toca quem António Costa deixa. Ficam na expectativa, mas………… a grande família socialista não dá espaço, pois só eles têm muitos “cola cartazes”, e esses tem de ser recompensados.

    • Pedrão de Cunha

      A esquerda só sabe mentir, caluniar, distorcer e enganar, o esquerdista não tem pátria, serve ao comunismo internacional, eles são psicopatas e não tem cura… tem que matar esses malditos!