Costa e a GALPada

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Como grande parte dos políticos da actualidade, Costa é oriundo das juventudes partidárias. Depois tornou-se profissional da política.

O socialismo tem naturalmente uma vocação estatizante que levou, entre nós, primeiro o PC e depois o PS a uma obsessão compulsiva pela ocupação do aparelho do Estado e, através dele, o controlo da sociedade civil e suas instituições independentes, nomeadamente a comunicação social, os pesos e contrapesos que procuram menorizar as imperfeições do sistema democrático, naturais numa construção humana. Daí a perda progressiva da liberdade criativa individual e da sociedade em geral. Não admira, pois, a nossa estagnação económica das últimas décadas.

O percurso de A. Costa começou por ser partidário, autárquico e chegou ao governo. Foi o nº 2 de Sócrates, mas não viu nada do que o Pinto de Sousa andava a fazer. Chegou a Primeiro-Ministro “da maneira que todos sabem”. O habilidoso artista ilusionista, com a ajuda do “Ronaldo das Finanças”, conhecido pela sua capacidade de fintar os portugueses dando-lhes austeridade e eles gostarem, conseguiu passar entre fogos e tormentas, sem nunca ter culpa de nada, ajudado pelo ‘bombeiro de serviço’. Ganhou finalmente umas legislativas, mas agora era preciso mostrar obra. A pandemia foi para nós o diabo, mas para ele foi ‘ouro’. Pareceu justificar o exercício do poder quase absoluto do Estado, como se não fosse uma das suas funções criar no bom tempo, com os nossos impostos, a “almofada” que lhe permite minorar as dificuldades em períodos de crise.

A verdade é que aquilo que Sócrates não conseguiu à bruta, o manhoso obteve nas calmas e com aparente aceitação das massas por falta de oposição e alternativas. O recente episódio do encerramento da refinaria da GALP mostrou que Costa também pode ser um “animal feroz” que, abusando do seu poder e animado pelo calor da campanha das eleições autárquicas, investiu violentamente contra a empresa desautorizando os seus ministros e contradizendo-se, porque havia gabado a acção daquela junto dos seus parceiros europeus, como grande contributo para a descarbonização. Factos passados, como a EDP, mostram que tende a ser fraco com os fortes e terá sido pretexto para insinuar que as autarquias só têm a ganhar em estarem “alinhadas” com os “objectivos do governo”.

O Grande Perigo é mesmo esse, que haja cada vez mais quem alinhe com quem distribui subsídios e dependências, na esperança de receber migalhas, mesmo sabendo que o governo PS está comprometendo o futuro da Nação.

Galambadas

Quem se mete com o PS, leva. Vejamos o exemplo de algumas Ga-Lambadas recentes:

– O governo em exercício pode ser acusado de ser demasiado grande, mas não pode ser acusado de não ter visão de longo prazo. Só a negociata do lítio e do hidrogénio garante dividendos durante pelo menos trinta anos.

– A electricidade vai subir? O culpado, imaginem, é a falta de vento e chuva que fez baixar a produção de energia renovável. Andámos anos a queixar-nos das “ventoinhas” do Sócrates e mais os seus estranhos contratos, culpados da subida da factura da luz porque essa produção de energia ‘limpa’ era mais cara. E agora, que estão a produzir menos, também encarece o produto?

– O preço dos combustíveis está a subir? A culpa é das gasolineiras e sua ganância de lucro. Felizmente o governo está atento e já propôs à Assembleia uma lei pela qual, por razões de interesse público e por forma a assegurar o regular funcionamento do mercado e a protecção dos consumidores, podem ser excepcionalmente fixadas “margens máximas em qualquer uma das componentes” comerciais que formam o preço de venda ao público dos combustíveis simples ou do GPL engarrafado. Finalmente iam baixar o imposto sobre os produtos petrolíferos, a maior componente (60%?) na formação do preço desses produtos. Enganei-me, porque afinal “essa medida não implicaria necessariamente a redução do preço”, dizem. Só não percebo é porque é que o imposto subiu quando foi preciso arrecadar mais receita e agora teima em não baixar. ■