Da Península Ibérica, nem bons ventos, nem bons casamentos

Tanto Costa como Sánchez disseram horrores dos seus amigos da extrema-esquerda durante as campanhas eleitorais, mas na hora da verdade ambos se renderam a ideologias perniciosas para a sociedade e para a economia dos dois países, com reflexos ainda mais graves para Portugal, muito dependente do sucesso económico do país vizinho.

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Desde miúdo que escutei esse velho ditado que dizia “De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento”, incutindo a histórica rivalidade, para não chamar outra coisa, entre portugueses e espanhóis.

A verdade é que a minha geração cresceu com sentimentos de antipatia para com os nossos vizinhos, apesar de não prescindir dos “Solanos”, da “Gaseosa La Casera”, das calças de bombazina e de poder ir a Badajoz beber Coca-Cola, não deixando de rir a bom rir e gozar quando via nos escaparates, por exemplo, o álbum (LP) de Simon & Garfunkel intitulado no original “Bridge Over Troubled Water” apresentar a denominação “Puente Sobre Aguas Turbulentas”, antipatia essa que em muitos casos, apesar da entrada na Comunidade Europeia e da abolição das fronteiras, ainda perdura. Pessoalmente, após ter vivido em Espanha – exilado em 1975 – onde fui recebido de forma extraordinária, confesso que, mau grado certas coisas, não consigo ser anti-espanhol, sem porém nunca colocar em causa o meu portuguesismo.

Não sei por influência de quem, mas a verdade é que, nos maus exemplos, infelizmente, Portugal e Espanha alinham actualmente pelo mesmo diapasão. Exemplo categórico disso é o “casamento” entre os socialistas e a extrema-esquerda. Em Portugal, Partido Socialista / Bloco de Esquerda; em Espanha, PSOE / PODEMOS. Assim, de ânimo leve, parece apenas uma coincidência, mas analisado ao pormenor afigura-se muito mais preocupante e grave. Vejamos. 

Aquando da campanha eleitoral de há quatro anos (2015), numa entrevista televisiva, António Costa, após negar categoricamente a possibilidade de realizar qualquer aliança com o Bloco de Esquerda, afirmava sobre o mesmo Partido: “O Bloco de Esquerda é um Partido oportunista e parasita da desgraça alheia”. Na mesma altura, sobre o Partido Comunista, diria qualquer coisa como “é um Partido vazio de ideias, de combate de rua”.

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