Desolação: Restauração e hotelaria em apuros

Restauração e hotelaria em apuros. Os números são dramáticos. Há salários em atraso e desemprego a subir em flecha. Quase 40% dos restaurantes e 16% dos alojamentos turísticos ponderam mesmo abrir falência.

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A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) apurou que 70% das empresas do ramo registaram quebras de facturação da ordem dos 40% no mês de Agosto, por comparação com igual período do ano passado.

Num inquérito feito pela AHRESP junto das empresas do sector, citado pela agência Lusa, 9% das inquiridas admite mesmo não conseguir pagar os salários aos trabalhadores e 10% só conseguem fazê-lo parcialmente.

Os resultados do inquérito mensal da associação, realizado entre 31 de Agosto e 3 de Setembro, no continente e regiões autónomas, concluem que o Verão não está a ser suficiente para as empresas de restauração e bebidas recuperarem dos prejuízos do confinamento gerado pela pandemia de Covid-19.

“Na restauração e bebidas, mais de 38% das empresas ponderam avançar para insolvência, dado que as receitas realizadas e previstas não permitirão suportar os encargos habituais para o normal funcionamento da sua actividade”, constata a associação.

A AHRESP refere que, neste quadro recessivo, 14% das empresas já procederam a despedimentos desde o início do estado de emergência, e mais de 24% das empresas assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano.

Alojamento turístico insolvente

Para as empresas do alojamento turístico o cenário também é alarmante: em Agosto 12% não registaram qualquer ocupação e mais de 16% indicaram uma ocupação máxima de 10%.

“22% das empresas inquiridas revelaram uma quebra homóloga superior a 90% na taxa de ocupação”, indica a AHRESP, acrescentando que em Setembro os resultados não são menos preocupantes, com 24% das empresas a esperar menos de 10% de taxa de ocupação e mais de 17% das empresas a admitir mesmo que não terão qualquer ocupação.

“Perante este cenário, 16% das empresas ponderam avançar para insolvência por não conseguirem suportar todos os normais encargos da sua actividade”, alerta a AHRESP, adiantado que mais de 19% das empresas do alojamento turístico não conseguiram efectuar o pagamento dos salários em Agosto e só 8% o fez parcialmente.

“Com esta realidade, cerca de 16% das empresas do sector assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano”, conclui a associação.

Desemprego em 9,6%

Como recorda a agência Lusa, as medidas para combater a pandemia da Covid-19 paralisaram sectores inteiros da economia e levaram a Comissão Europeia a prever para Portugal um recuo da economia de 9,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, uma contracção acima da anterior projecção de 6,8% e da de 6,9% estimada pelo Governo português.

O Executivo prevê agora que a economia nacional cresça 4,3% em 2021, enquanto Bruxelas admite um crescimento mais optimista, de 6%, acima do que previa na Primavera (5,8%).

A taxa de desemprego deverá subir para 9,6% este ano. Se a retoma se processar ao ritmo que o Governo prevê, essa taxa poderá recuar para 8,7% em 2021.■