€18.000.000.000: eis quanto já nos custaram os bancos falidos

Os números são coisas abstractas. É por isso que se torna difícil ter uma consciência exacta de um valor tão extraordinário: dezoito mil milhões de euros. Mas digamos de outra maneira: desde 2008 e até agora, cada português já pagou do seu bolso 1.800 euros para cobrir as falências do BPN, do BES e do BANIF. Dos cofres do Estado, durante uma década, saíram para a banca falida 4 milhões e meio de euros por dia. Por junto, o suficiente para construir vinte Pontes Vasco da Gama ou pagar todas as pensões de velhice, invalidez ou sobrevivência durante um ano.

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As analogias ajudam a entender materialmente a grandeza do número. 

O ‘buraco’ nas contas da banca portuguesa falida entre 2008 e 2018, ‘buraco’ que o Estado cobriu com o dinheiro dos contribuintes, dava para construir 20 pontes com a grandeza e a extensão quilométrica da Vasco da Gama.

Ou para construir 666 pontes como aquela que Rui Moreira vai construir sobre o Douro, entre Campanhã e Gaia (incluindo engenharia, suportes, tabuleiro e acessos). 

Dava para construir 45 hospitais gigantes como o de Lisboa Oriental, que estará pronto dentro de três anos e terá 900 camas.

Ou para construir 120 grandes hospitais como o novo Hospital Central do Alentejo, em Évora, que servirá 200 mil pessoas.

Dava para construir 50 Centros Culturais monumentais, como o de Belém.

Ou para fazer 160 Casas da Música como a do Porto.

Dava para financiar 25 vezes a projectada expansão do porto de Lisboa (incluindo outros tantos Terminais do Barreiro).

Dava para pagar 18 vezes a bruta dívida da Parque Escolar.

Dava para cobrir durante um ano inteiro os gastos da Segurança Social com todas as pensões de velhice, invalidez ou sobrevivência que são pagas em Portugal.

Dava para cobrir três vezes o total das compras feitas pelos portugueses através da internet em 2018.

Dava, até, para financiar a vida de nababo que José Sócrates levou entre 2005 e 2014, à razão de um milhão e meio de euros por ano saídos da conta do Sr. Santos Silva – durante doze mil anos!

1.538 milhões só em 2018
E agora, que o calote do sector financeiro português coberto pelo dinheiro do contribuinte português pôde ser devidamente avaliado com exemplos da vida real, mergulhemos no parecer sobre a mais recente Conta Geral do Estado divulgada há dias pelo Tribunal de Contas. O parecer deu entrada, na sexta-feira passada, na Assembleia da República.

O Tribunal de Contas estima que o encargo, para o Estado, do apoio ao sistema financeiro entre 2008 e 2018 ascendeu a 18.292 milhões de euros. As despesas, ao longo daqueles dez anos, foram de 25.485 milhões de euros e as receitas de 7.193 milhões de euros (estas, decorrentes dos juros que os bancos pagaram ao Estado).

Este valor, que corresponde a uma média de 1.663 milhões de euros por ano (ou 4 milhões e meio de euros por dia!), deve-se à aquisição, pelo Estado, de participações em bancos, concessão de empréstimos, prestação de garantias, entre outras formas de apoio, relacionando-se com a intervenção pública em casos perdidos como BPN, BES/Novo Banco e Banif.

Se considerarmos apenas o último ano da década, 2018, conclui-se que o esforço financeiro do Estado foi de 1.538 milhões de euros, em termos líquidos (o que inclui a injecção de capital no Novo Banco pelo Fundo de Resolução e o processo de nacionalização e reprivatização do BPN), compensados por reembolsos de uns míseros 174 milhões de euros. Balanço: 1.364 milhões de euros que ‘voaram’ dos cofres do Estado sem qualquer proveito.

• Leia este artigo na íntegra na edição em papel desta semana já nas bancas