Ter algum dinheiro de parte não é garantia para a velhice

Quando se pensa em reformas escassas que não permitem ao pensionista manter o seu padrão de vida, raramente se considera que mesmo os chamados investidores - quer os que integram os regimes do Estado, quer os que possuem esquemas complementares de reforma - e até os empresários estão preocupados com o seu futuro.

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Quase um quarto (23%) dos investidores portugueses está preocupado por não poupar o suficiente para assegurar uma reforma confortável, de acordo com o Global Investor Study da Schroders. A pesquisa da respeitada empresa britânica de gerenciamento de activos define “investidores” como aqueles que vão investir, pelo menos, 10.000€ (ou o equivalente) nos próximos 12 meses, e que fizeram mudanças aos seus investimentos nos últimos 10 anos.

Com uma grande maioria de pessoas a viver mais anos, graças aos avanços da Medicina, os problemas aumentam para quem prepara a velhice. Se é positivo o aumento da longevidade, os riscos de dificuldades para pagar reformas também aumentam. O estudo da Schroders – que inquiriu mais de 25.000 investidores de 32 paí-
ses – revela que, globalmente, um terço dos ‘baby-boomers’, pessoas actualmente entre os 51 e os 70 anos de idade (34%), está apreensivo relativamente à escassez de dinheiro que está a conseguir poupar, o que compara com 20% dos ‘millennials’, ou seja, aqueles que hoje estão no grupo entre os 18 e os 37 anos de idade.

Ásia e Europa
Regionalmente, os investidores da Ásia e Europa são os mais preocupados com os níveis de poupança, com 26% e 25%, respectivamente, a afirmar que estão nervosos com a perspectiva de uma reforma sem segurança. Isto compara com 22% de inquiridos nas três Américas, Norte, Central e Sul. Destaque para o facto de 53% dos inquiridos no Japão em idade activa revelarem preocupação. Em contrapartida, apenas 6% de pessoas na Índia se preocupam com o dia de amanhã.

Apesar destes receios, a população global espera conseguir retirar, em média, 10,3% das poupanças de reforma todos os anos, sem ficar sem dinheiro, o que revela um desencontro entre as provisões das pessoas e aquilo que elas esperam gastar na reforma. Este desencontro é ainda maior em Portugal, pois os investidores esperam conseguir retirar 10,7% das suas poupanças de reforma todos os anos e não ficar sem dinheiro.

Em Portugal, tradicionalmente, muitos donos de empresas, essencialmente as PME que são a fatia de leão do nosso tecido empresarial, optam por atribuir a si próprios um vencimento próximo do Salário Mínimo Nacional. Precisamente por isso é que as pensões públicas que vão receber no futuro são muito baixas.

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