Só não resistiu ao motim do seu executivo por Diogo Gil Gagean
Boris Johnson, o polémico primeiro-ministro inglês, apresentou a sua demissão do cargo em terras de sua majestade. O resistente, como alguns lhe chamam, resistiu a tudo, resistiu ao Brexit, ao Covid, aos “lockdowns”,
resistiu ao voto de não confiança do partido e teve ainda um casamento e dois bebés pelo meio do seu mandato. Para não falar das suas badaladas festas em Downing Street.
Escândalos que teriam afundado outros políticos pareciam não ter efeito sobre ele. Ele sempre foi capaz de recuperar a sua aura de salvador da Grã-Bretanha. As suas gafes e os seus erros tornaram-se parte de sua marca.
Só não resistiu ao motim, quando mais de cinquenta membros do seu executivo apresentaram a demissão.
Nestes tempos em que quase que não conseguimos identificar diferenças entre os políticos de vários quadrantes, mesmo a nível europeu as diferenças esbatem-se em prol do politicamente correcto e do medo de ofender algum quadrante da sociedade por muito pequeno que seja, Boris com o seu jeito “tresloucado” tornou-se rapidamente um político reconhecido em qualquer parte do mundo, a sua imagem divertida e implacavelmente optimista, aliada a formidáveis habilidades de campanha, ajudaram a alcançar partes do eleitorado que os conservadores mais convencionais não conseguiram.
A sua visão para a economia do Reino Unido e, particularmente, o Brexit como uma oportunidade para implementar reformas profundas e para corrigir as fraquezas económicas que assolaram a Inglaterra durante vários anos, foram muito bem acolhidas pelo sector mais conservador britânico.
Boris é um populista puro e duro, quando as hordas o atacavam pelos seus actos e acções mais duvidosas, os ingleses esqueciam o assunto rapidamente pois estavam apaixonados por aquela personagem excêntrica.
Boris não resistiu, quem vai sofrer mais no imediato com esta demissão é o povo ucraniano a quem o ex-primeiro-ministro inglês tanto ajudou, foi mesmo o político europeu que mais afrontou Putin.
Vamos ver quem ocupa o número 10 em Outubro, se Winston Churchill ou Neville Chamberlain.
Por cá continuaria tudo na mesma, este governo resistiu aos incêndios, às golas, a Tancos, ao desastre no SNS, aos aeroportos, à exploração do lítio e até ao “family gate”. “No passa nada”. Que saudades de Jorge Coelho.
P.S. – Por causa da morte de José Eduardo dos Santos, Daniel Oliveira veio culpar a colonização portuguesa da cleptocracia que reina na república angolana.
Para os mais distraídos e que ainda não sabem, aqui fica a informação, José Eduardo dos Santos era comunista, razão pela qual Daniel Oliveira e muitos como ele defendem o falecido ex-presidente angolano. Para a esquerda os crimes cometidos em nome da implementação do marxismo são sempre válidos, pois estão imbuídos de um espírito moralmente superior.
Angola foi apenas administrativamente controlada por Portugal no século vinte, tem tanto tempo de independência como de controlo por Portugal. Se calhar a culpa da pobreza é mesmo do MPLA e não de Portugal. ■
Eu demito-me, eu não me demito por José Guilherme Oliveira
Os últimos tempos foram recheados de demissões. Por cá foram pedidas as da ministra da Saúde e do ministro das Infra-estruturas.
Ora pelo que fizeram, ora por aquilo que não fizeram, ou pela forma como fizeram, foram exigidas as suas cabeças… resultado?
Ficou tudo como estava.
Lá por fora, o tema das demissões também foi tendência, mas com resultados diferentes. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, demitiu-se, embora a contra-gosto e renitente, foi-se, ou melhor vai-se… devagarinho, pois gosta tanto do poleiro que procura prolongar a estadia pelo tempo possível).
Quem é o Boris Johnson?
A carreira do primeiro-ministro do Reino Unido Boris Johnson, e agora ex-líder do Partido Conservador, é marcada por alguns altos (saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit)) e muitos baixos (a série de escândalos e investigações ao seu comportamento e dos seus).
Formado nas melhores escolas e vindo de famílias da classe alta britânica, o excêntrico Boris foi sempre uma figura controversa. Desde os tempos de jornalista, profissão onde iniciou a sua vida profissional, até ao cargo de primeiro-ministro que agora abandona, nunca foi uma pessoa vulgar, digamos assim.
Não só o seu comportamento, mas também o seu aspecto descabelado, que convenhamos é pouco ortodoxo para as funções que exercia, não abonam a seu favor, mas, se formos sinceros, reconhecemos alguma coerência pois o homem é também despenteado por dentro.
Surfou algumas ondas, a par do Donald Trump e com o Bolsonaro forma um trio estridente da direita conservadora. Têm características semelhantes, são suficientemente populistas, gostam de poder e não se acredite que desistem facilmente. A sólida democracia inglesa não permite que seja tão perigoso como os outros.
Já ouvi por cá, a alguns dos seus apaniguados, o elogio pela dignidade e coragem do homem ao assumir a demissão.
Bolas, se algum elogio lhe é devido é ao da persistência e resistência a tamanha avalanche de confusões e episódios. Não há nenhuma dignidade no acto, há sim uma inevitabilidade.
Dito isto, qualquer relação entre a demissão de um e a não demissão de outros é mera coincidência temporal.
P.S. – Entretanto, e por cá, o MP pretende que os “filhos de Famalicão” sejam retirados aos pais durante o período escolar e entregues à direcção da escola. E não há quem se indigne?!!!!!
Sejamos claros, a disciplina de cidadania “professa” conteúdos claramente ideológicos associados à agenda da esquerda radical. Indague-se em que consiste o ensino sobre a igualdade de género, ou quando se explica a um menino ou menina que o género é uma questão cultural.
Entretanto a discussão prossegue cheia de reserva mental, desonestidade intelectual e hipocrisia. ■
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