O povo português paga uma nota preta para ter electricidade em casa. E tal como na gasolina, a culpa é exclusivamente do Estado, que nos sobrecarrega com taxas e taxinhas.

Que a famosa promessa de “virar da página da austeridade” de António Costa não passava de propaganda já os portugueses suspeitavam (aliás, António Costa perdeu as legislativas com esta promessa). Mas a divulgação dos últimos números sobre os preços dos principais bens de consumo no espaço europeu mostra que a austeridade está bem viva, e recomendada pelo primeiro-ministro.

Os dados agora revelados pelo Eurostat mostram de forma bem clara que, em valores absolutos, os portugueses suportam o sexto preço da electricidade mais elevado da União Europeia. A imprensa nacional ­— demasiado amiga do actual regime híbrido socialista-marxista montado por Costa — não fez, no entanto, as contas que expõem o óbvio: em termos proporcionais, os portugueses recebem todos os meses a factura de electricidade mais elevada da Europa.

Ordenado de pobre, factura de rico

Segundo números oficiais da União Europeia, o rendimento mediano líquido de cada português — ou seja, o dinheiro que todos os meses leva para casa após pagar os impostos e os descontos sociais — ronda os 700 euros. É com este valor que cada cidadão tem que pagar a factura da luz.

Existem seis países da União onde, em teoria, se paga mais por electricidade do que em Portugal: Dinamarca, Bélgica, Alemanha, Espanha e Irlanda. Ou pagaria, não fosse o facto de os salários nestes países serem muito mais elevados. Os dinamarqueses recebem por mês (após os impostos) mais 1.600 euros do que os portugueses, os belgas e os alemães recebem mais 1.120 euros e os espanhóis mais 400 euros (os dados referentes à Irlanda aguardam ainda actualização, mas em valores aproximados seguem a tendência).

Mesmo levando muito mais dinheiro para casa todos os meses, os mesmos dinamarqueses e alemães apenas pagam 7,7 euros a mais por cada 100kw de electricidade do que os portugueses. Os belgas pagam 5,2 euros a mais. Os espanhóis, 20 cêntimos.
Contas totais, se fizessem o mesmo consumo médio anual que um português (cerca de 5.000kw), os dinamarqueses e os alemães pagariam 1.500 euros durante o ano, apenas 400 euros a mais do que um português paga: 1.100 euros. Os espanhóis pagariam exactamente o mesmo, ainda que recebendo mais.

Esta realidade não se encontra escondida, e os portugueses já a sentem. Manter um mínimo de qualidade de vida está a ser difícil para a maioria das famílias portuguesas, e as novas medidas de austeridade do Governo, que aumenta os impostos indirectos, ainda lhes vão dificultar mais a vida. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, três em cada dez euros do rendimento disponível dos agregados familiares estão a ser gastos a manter um tecto sobre a cabeça da família e as luzes ligadas. Há cerca de 20 anos, quando o peso dos impostos era bem menor, esta rubrica apenas representava 12,4 por cento.

Austeridade permanente

O responsável por estes preços obscenamente elevados, como de costume, é o próprio Estado. Mais de metade da factura da luz — 52 por cento do total — diz respeito aos impostos cobrados. É, de longe, dos valores mais elevados da União Europeia.
Em Itália, por exemplo, apenas 38 por cento da factura dizem respeito a impostos; em França, são 36 por cento; na Holanda, 27 por cento; no Reino Unido, 24 por cento; e em Espanha, um por cento.

Os socialistas e marxistas tendem a culpar os privados (quem mais?) pelos preços elevados, discursando furiosamente sobre os lucros das empresas de energia, apesar de os preços em vigor serem estipulados pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), e de a factura no antigo mercado regulado (onde não existia concorrência) na verdade ter sido mais elevada. Os números revelam que Portugal até teria dos preços de electricidade mais baixos da Europa, não fosse o peso do Estado. Sem taxas e taxinhas, os portugueses apenas pagariam 11 euros por cada 100kw.

Por ano, cada português paga quase 600 euros em impostos sobre a electricidade, e todos, mesmo nas famílias com menores rendimentos, têm de pagar este imposto. A redução nos impostos sobre esta rubrica seria um alívio muito maior do que as pequenas jogadas orçamentais de Centeno e Costa.

BE quer que o povo se lixe

Infelizmente, o executivo está refém de forças de extrema-esquerda, que acham que todos os males do mundo se encontram no facto de a economia não estar toda nacionalizada. O sector energético é, em particular, uma obsessão dos marxistas, que o querem sob controlo do Estado.

Num momento de moderação, António Costa foi obrigado a travar a cegueira ideológica marxista quando o Bloco de Esquerda quis implementar um imposto sobre a energia renovável, algo que iria ter efeitos pesadíssimos nos bolsos dos portugueses.

O discurso populista pretendia que as empresas pagassem cerca de 200 milhões de euros que, segundo os bloquistas, elas “devem ao povo”. Não referido no discurso extremista é que estas empresas geralmente deixam o tipo de taxas como a que o BE propôs na factura, para o contribuinte pagar. Como já foi referido neste artigo, sem a influência do Estado os portugueses teriam uma das facturas de electricidade mais baixas da Europa.
Estes factos, no entanto, não importam para os radicais, mesmo que signifiquem que os pobres, que são dos grupos sociais mais atingidos por uma factura de electricidade elevada, sejam extremamente prejudicados.

Mariana Mortágua dedicou quatro das cinco páginas do seu discurso de conclusão sobre o Orçamento do Estado a criticar a decisão razoável do Executivo. No PS já se começou a virar o bico ao prego, afirmando-se que o chumbo do novo imposto apenas se deve a “questões jurídicas”. No fim, enquanto o Governo do País estiver refém da extrema-esquerda, a prosperidade de todos os portugueses está em risco.

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