No momento em que os credores internacionais vêm uma vez mais inspeccionar as contas públicas portuguesas, um antigo ministro de um Governo socialista avisa: se apostarmos apenas no consumo, “nem a moeda única nos salvará de um quarto resgate”.

A Comissão Europeia, o BCE e o FMI regressaram a Portugal para mais uma missão pós-programa de austeridade, sendo esta a sétima vez que o fazem. Os elementos da troika vão embora amanhã, quarta-feira, depois de uma série de reuniões técnicas designadamente com o Banco de Portugal e o Ministério das Finanças. No final da visita da missão, tanto o FMI como a Comissão Europeia costumam divulgar um comunicado com as principais conclusões e, mais tarde, elaboram um relatório detalhado sobre a situação económica e financeira de Portugal.

Apesar de o Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) ter terminado em 2014, tanto o FMI como a Comissão Europeia vão manter missões regulares a Portugal até que o País reembolse a maioria dos empréstimos aos dois credores internacionais. Ou seja, a evolução da economia portuguesa continua a ser escrutinada, pois os credores não querem correr riscos de incumprimentos, pelo que esta presença dos elementos da troika não é nunca uma mera rotina.

E os riscos existem. Enquanto o Governo puxa dos “galões” pelos bons números da economia, há quem faça alertas sérios. Daniel Bessa, antigo ministro de António Guterres, avisa: “Nem a moeda única nos salvará de um quarto resgate”. É uma espécie de fantasma da troika que continua a assombrar-nos.

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