HENRIQUE NETO

O “Manifesto – Portugal uma ilha ferroviária”, publicado no ‘Expresso’ por um conjunto de cidadãos subscritores, coloca frontalmente em causa as políticas seguidas por vários governos no passado, de privilégio da mobilidade rodoviária, o abandono da ferrovia e, igualmente, as opções do Governo de António Costa neste domínio.

De facto, não lembraria ao diabo gastar dois mil milhões de euros na chamada modernização das centenárias linhas ferroviárias portuguesas em bitola ibérica, quando a vizinha Espanha está a levar a cabo a mudança de todo o seu sistema ferroviário para bitola europeia, privilegiando compreensivelmente as ligações à Europa, quer a Sul a partir de Barcelona, quer a norte atravessando os Pirenéus, em grande parte através de túneis. Ou seja, o Governo do PS planeia transformar Portugal numa ilha ferroviária, um caso de estudo mundial pelas piores razões, através da aposta num modelo ferroviário único na Europa.

Neste contexto, o Governo do PS foge à verdade, o que já vem sendo hábito, ao considerar publicamente que a ferrovia portuguesa “praticamente toda em bitola ibérica, concordante com a utilizada em Espanha, país com quem Portugal tem, naturalmente, maior relacionamento neste modo de transporte”. Maior relacionamento e único, a partir do momento em que entreguemos às plataformas logísticas espanholas das regiões de Badajoz, Salamanca e Vigo o encargo de levar as exportações portuguesas por via ferroviária para a Europa.

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