Império da família Santos desmorona-se

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Uma parte considerável do empório negocial da família do deposto Presidente angolano José Eduardo dos Santos terminou o ano de 2019 nas mãos dos tribunais, depois de ter sido determinado o arresto das contas bancárias e das empresas de Isabel dos Santos e seu marido, Sindika Dokolo, que agora vivem na Europa.

O Tribunal Provincial de Luanda determinou o arresto depois de ter aceitado a acusação da PGR angolana, segundo a qual José dos Santos esteve envolvido no desvio de mais de 115 milhões de dólares para uma empresa em que a sua filha Isabel detinha 50% do capital. A PGR acusa-o ainda de ter favorecido a filha e o genro no negócio de diamantes, imputando a estes um prejuízo para o erário público superior a mil milhões de euros.

Entre as empresas arrestadas encontram-se a operadora Unitel, o Banco Fomento Angola (BFA), a ZAP Media, a Cimangola II, a Ciminvest, a Continente Angola e a Sodiba, entre outras.

Este golpe no império da família dos Santos vem na sequência da instauração de vários inquéritos-crime a outros filhos do deposto Presidente. O jornalista angolano e activista dos direitos humanos, Rafael Marques, que chegou a ser perseguido no tempo em que dos Santos era Presidente, entende ter chegado o momento de a Justiça actuar com firmeza no apuramento das responsabilidades do ex-Presidente e seus familiares: “Julgavam que com o dinheiro todo que tinham podiam fazer o que bem entendiam”, classificando ainda José dos Santos como “o padrinho da corrupção” em Angola.

Entretanto, o ‘Jornal de Angola’ noticiou na sua edição do último dia de 2019 que “a empresária Isabel dos Santos, por intermédio do general Leopoldino Fragoso do Nascimento, está a tentar transferir alguns dos seus negócios para a Rússia, tendo a PJ portuguesa interceptado uma transferência no valor de dez milhões de euros que se destinava àquele país”. Citando o despacho do Tribunal Provincial de Luanda, o ‘JA’ refere que “a operação de transferência foi bloqueada pela Unidade de Informação Financeira (UIF) da Polícia Judiciária portuguesa quando os fundos estavam depositados numa conta no Millennium BCP”. O matutino adianta ainda que “o documento revela outras movimentações consideradas suspeitas, que levaram os procuradores a acreditar na orquestração de uma fuga de capitais, o que inclui informações dos Serviços de Inteligência e Segurança do Estado a desvendar a intenção” da empresária de “pretender vender as participações sociais que detém na Unitel a um cidadão árabe, que já encetou diligências em Angola para aquisição das participações sociais”.

Em Lisboa, Isabel dos Santos negou qualquer participação na tentativa de transferência de dinheiro para a Rússia e classificou as acusações do Tribunal de Luanda como “falsidades”. ■