Jogada de alto risco na Saúde

Passados quatro anos a tapar o sol com a peneira, a crise na saúde é tão grave que o primeiro-ministro não pôde mais ignorá-la. A promessa está feita, e o orçamento reforçado. Falta “só” cumprir o prometido. E aí é que a porca torce o rabo…

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Depois de ter perdido nas últimas legislativas a hipótese de uma maioria absoluta muito por causa dos graves problemas no sector da Saúde, António Costa decidiu dar o tudo por tudo em 2020, e dedicou a sua tradicional Mensagem de Natal quase integralmente a este tema. É uma jogada política muito arriscada, pois chamou a si um ‘dossier’ muito complexo, talvez o mais sensível para o cidadão eleitor.

Durante uma legislatura inteira andou a mostrar estatísticas de mais consultas e operações realizadas no SNS, enganando-se a si mesmo sobre um sector em crise profunda. Agora, António Costa teve de assumir que os problemas são muitos e jurou ir dar uma especial atenção à área da Saúde. Uma atenção que lembra um pouco a paixão pela Educação de António Guterres, que igualmente acabou por ser uma mão cheia de nada.

Mas será que os portugueses vão acreditar nas promessas de António Costa? Ou será que se lembram das promessas da anterior legislatura como a de atribuir um médico de família a todos os portugueses, o que manifestamente não aconteceu?

Perante o clamor suscitado pelos problemas na Saúde, alguns dos mais destacados dirigentes socialistas já tinham posto o dedo na ferida. Concretamente, Ana Catarina Mendes, líder parlamentar do PS, e Carlos César, presidente do partido, referiram a necessidade de se darem respostas a muitos dos problemas da Saúde, nomeadamente às incapacidades do SNS. O Presidente da República tem igualmente dado visibilidade aos problemas da Saúde, o que pressionou o Primeiro-Ministro, que espera para 2020 ter um excedente orçamental, a ter de mostrar resultados efectivos nesta área.

Retrato desfocado
Entrando na casa dos portugueses na hora de jantar de dia 25, António Costa dedicou a sua mensagem ao “compromisso” do Governo de reforçar orçamentalmente a capacidade de resposta do SNS, prometendo atacar a sua “crónica suborçamentação” e eliminar faseadamente taxas moderadoras.

Não perdendo uma hipótese para mais uma acção de propaganda, e ao contrário do que é tradicional, António Costa não gravou a mensagem na residência oficial do Primeiro-Ministro, mas antes na Unidade de Saúde Familiar (USF) do Areeiro, em Lisboa, que entrou em funcionamento no passado dia 16 de Dezembro.

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