Eva Cabral

Depois do drama dos incêndios e do roubo de armas em Tancos, o surto de Legionella no São Francisco Xavier, uma unidade do SNS, transformou-se na terceira grande crise que o Executivo de António Costa teve de gerir. Esta última teve mesmo o episódio macabro de as duas primeiras vítimas mortais terem sido ‘recolhidas’ pela PSP quando se encontravam a ser veladas pelas famílias, com o argumento de que teriam de ser alvo de uma autópsia por ordem do Ministério Público.

A novidade desta gestão de nova crise foi o tom adoptado por António Costa. Depois da frieza no caso dos incêndios, e do puxão de orelhas do Presidente, Costa optou desta feita pela humildade quando se apercebeu da toxicidade política dos corpos resgatados para autópsia.

Quando António Costa foi confrontado com o facto de o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) ter dado ordens à PSP para recolher dois corpos que já tinham saído das unidades hospitalares, e que se encontravam a ser velados pelas suas famílias em igrejas de Campo de Ourique e de Belém, o primeiro-ministro disse que não lhe compete avaliar a actuação do Ministério Público. Mas acrescentou que registava o pedido público de desculpas feito pelo Ministério Público, numa forma de se associar a estas mesmas desculpas.

Na mesma linha, o ministro da Saúde fez declarações a lamentar o “incómodo e perturbação” causado às famílias das vítimas de Legionella que estavam a ser veladas quando a polícia recolheu os corpos para autópsia.

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