Maria Costa

Com o País mergulhado numa seca severa depois de um Verão marcado pelos fogos florestais, Luís Mira, secretário-geral da CAP, defende que “em matéria estrutural é indispensável que Portugal implemente um plano nacional de captação e armazenamento de água que salvaguarde as necessidades futuras”. Em declarações a O DIABO, Luís Mira lembra que “existem vários planos e projectos elaborados há mais de 50 anos e que nunca foram implementados, os quais só pecam por virem tarde de mais”. Para se ultrapassar uma calamidade cada vez mais frequente como a seca, o dirigente da Confederação dos Agricultores de Portugal adianta ser necessário flexibilizar “as exigências e a burocracia que a Agência Portuguesa do Ambiente impõe a todos aqueles que querem realizar alguma acção de captação de água, ignorando que estamos numa situação muito complicada que sai muito do parâmetro estabelecido. Não é aceitável este tipo de postura”.

  • O IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera) alerta para o facto de mais de 80% do território estar em seca severa. Até ao momento, que produções agrícolas foram mais prejudicadas?

Todas as produções agrícolas e florestais foram afectadas. Numas, já são visíveis os prejuízos; noutras, só no próximo ano agrícola se poderá ter a verdadeira dimensão do problema, pois a falta de água provocou um stress hídrico que vai afectar a quantidade de frutos que a planta vai ter na próxima produção. Existem casos de quebras de 60%, como na castanha. Mas, por exemplo, na pecuária o prejuízo ainda não terminou porque os animais precisam de comer todos os dias e o agricultor tem de comprar comida durante mais uns meses até que o campo volte de novo a ter pastagem. Por esse motivo não podemos dizer qual o que teve maior prejuízo.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
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