Marcelino da Mata: Um Cruzado do Império

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Faleceu, aos 80 anos, no passado dia 11, vítima do COVID-19, o Maior dos Maiores: o Senhor Tenente-Coronel Marcelino da Mata. O Senhor Tenente-Coronel Marcelino da Mata era o último dos grandes Heróis nacionais vivos e o Militar português mais condecorado de sempre: Torre e Espada, 5 Cruzes de Guerra, 1 Medalha de Ouro e 2 Medalhas dos Promovidos por Feitos Distintos em Campanha.

Após o 25 de Abril foi preso por ordem dos comunistas, traído pelos seus camaradas, sujeito às maiores torturas e humilhações, com o conluio dos governantes de então – Partido Socialista e Partido Comunista. Os seus algozes, a soldo dos Partidos de extrema-esquerda, ficaram impunes até hoje.

Abaixo transcrevo, na íntegra, o testemunho escrito pelo próprio Tenente-Coronel Marcelino da Mata sobre o pesadelo de que foi vítima aquando da sua prisão no RALIS e Caxias:

*

“No dia 17/5/75, quando me encontrava em Queluz Ocidental, ouvi pela rádio ser comunicado que me encontrava preso, no RALIS. Perante tal absurdo, dirigi-me ao Regimento de Comandos na Amadora, Unidade onde estava colocado, e falei com o Oficial de Serviço, capitão Ribeiro da Fonseca, ao qual contei o que acabara de ouvir e pedi que esclarecesse a situação.

O capitão Ribeiro da Fonseca, na minha presença, telefonou para o RALIS e falou com o tenente-coronel Leal de Almeida, tendo o mesmo respondido que me deviam levar imediatamente escoltado para esta Unidade. Telefonou ainda o capitão Fonseca para o COPCON falando directamente com o brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho, o qual confirmou que me devia entregar ao RALIS pois estavam concentradas todas as operações nesta Unidade. Foi assim que escoltado por tenente-Comando e duas praças fui levado para o RALIS. Uma vez chegado à Unidade referida e enquanto o tenente que me escoltava se dirigia ao oficial de serviço, aproximou-se de mim um furriel armado que me disse ter ordens para me levar para a casa da guarda e manter-me aí incomunicável. Apareceu entretanto um aspirante que me levou para uma sala do edifício do Comando onde permaneci sozinho até às 24.00.

Apareceu depois das 24.00 um indivíduo alto, forte e de cabelo e barba compridos que, intitulando-se segundo comandante do RALIS, mas que depois vim a saber que se tratava de um militante do MRPP conhecido por “RIBEIRO”, me estendeu um papel para aí eu escrever tudo o que sabia sobre o ELP.

Mais tarde apareceu um aspirante e um furriel chamado DUARTE e o capitão QUINHONES que tornaram a fazer a mesma pergunta. Uma vez que jamais tinha ligação com o ELP ou qualquer organização outra, respondi-lhe negativamente. Entrou então o capitão QUINHONES MAGALHÃES, disse-me que me ia fazer o mesmo que se fazia na Guiné aos ‘turras’ quando não queriam falar e puxou do seu cinturão no que foi secundado pelo furriel Duarte. Saíu o capitão QUINHONES e regressou acompanhado de outro indivíduo, baixo e forte, que também vim a saber ser do MRPP e conhecido por “JORGE”, e mais outro furriel, aos quais o capitão QUINHONES ordenou que me fossem batendo à bruta até que eu confessasse. Apareceu então o tenente-coronel LEAL DE ALMEIDA que me disse que os pretos só falavam quando levavam porrada e eram torturados e que não tinha outra solução senão ordenar que me fizessem isso.

Ordenou o capitão QUINHONES que me encostassem à parede e despisse a camisa, o que tive de fazer. Após isto, fui agredido sete vezes com uma cadeira de ferro nas costas o que me provocou vários ferimentos. Não resistindo caí, mas o capitão QUINHONES disse que me pusesse de joelhos e um outro indivíduo que entrou, intitulando-se oficial de marinha agrediu-me mais duas vezes com a cadeira. Após isto o capitão QUINHONES e furriel DUARTE, um de cada lado, agrediram-me com o cinturão por todo o corpo, e eu, que já sentia dores na coluna, senti dores nas costelas e caí novamente no chão.

O capitão QUINHONES ria-se e dizia que o tenente-coronel LEAL DE ALMEIDA queria que eu falasse nem que eu ficasse todo partido e que ele ia mesmo fazer-me falar.

assados uns momentos, quando me encontrava novamente sentado, e como fizesse tenção de reagir às agressões, algemaram-me e perguntaram-me se eu conhecia uns indivíduos, os quais haviam entrado mais ou menos quando me começaram a agredir com a cadeira de ferro. Como eu dissesse que conhecia alguns deles e outros não foram-me dizendo os nomes apontando para eles e enunciaram um COELHO DA SILVA, um Doutor MAURÍCIO, que não conhecia, e o JOÃO VAZ, ALVARENGA AUGUSTO FERNANDES (BATICAN) e o ARTUR, todos africanos, os quais já conhecia da Guiné. Então o capitão QUINHONES ordenou ao tal “JORGE” que pegasse num fio eléctrico e me torturasse, tendo-me este dado choques nos ouvidos, sexo e no nariz. Pela terceira vez que me fizeram isto desmaiei, pois não aguentei.

Quando recuperei tornaram, o capitão QUINHONES e o furriel DUARTE, a agredir-me com os cinturões e a cadeira de ferro, sentindo eu nessa altura que devia estar com fractura da coluna e costelas e tinha vários ferimentos grandes em todo o corpo. Mais uma vez não aguentei e desmaiei.

Ao recuperar os sentidos encontrava-me todo molhado e ensanguentado, não tinha movimentos nas pernas e quase não podia respirar além de fortes dores por todo o corpo.

Por volta das 6h do dia 18 trouxeram para junto de mim e dos outros indivíduos que estavam ali presos e já mencionados, o FERNANDO FIGUEIREDO ROSA, também da Guiné, ao qual agrediram com a cadeira de ferro e arrastaram para fora da sala. Entretanto entrou também uma senhora que dizia ser mulher do COELHO DA SILVA à qual o furriel apalpou as nádegas e seios e outras partes do corpo, frente ao marido. Fui algemado, logo a seguir à entrada da senhora, e conduzido à prisão onde um furriel encheu com água, até ao nível dos tornozelos a cela.

Por volta das 23.00 fui retirado da prisão e vi o tenente fuzileiro CORTE REAL e o ex-tenente fuzileiro FALCÃO LUCAS cá fora, os quais ao ver o meu estado me disseram que a eles também lhes tinham dado um “bom tratamento” mas não tanto como o meu. Fui metido, a seguir, numa Chaimite e levado para Caxias onde cheguei já pelas 01.00 ou 02.00 do dia 19/5/75. Chegado a Caxias o capitão tenente XAVIER, e o qual conhecia da Guiné, tratou-me com termos ordinários e obscenos e mandou-me levar para uma cela, apesar de ver o estado em que me encontrava e de me ter queixado e afirmado que necessitava ser assistido clinicamente. Só no dia 21/5/75 e depois de muito insistir com pedidos ao oficial de serviço, aspirante de Marinha, FERNANDES, fui levado à enfermaria de Caxias onde me fizeram os primeiros tratamentos, mas quando era necessário ser radiografado faziam-no sempre às zonas do corpo que não eram aquelas de que me queixava.

Permaneci 150 dias em Caxias e só quando fui libertado e colocado com residência fixa consegui ser tratado convenientemente e soube ter tido fractura de duas costelas e da coluna.

Lisboa, 24 de Janeiro de 1976

MARCELINO DA MATA

ALF. COMANDO”

*

O texto é elucidativo do comportamento “democrático” levado a cabo por facínoras, certamente admiradores dos seus camaradas do KGB, demonstrativos do regime ditatorial a vigorar em Portugal desde o dia 26 de Abril de 1974 e que terminou em 25 de Novembro de 1975, cujos responsáveis políticos (Partidos) são os mesmos que hoje formam a “geringonça”. Daí talvez se explique os comportamentos autoritários e prepotentes a que temos assistido na actualidade. 

Os Media, no seu habitual comportamento torpe, que já não se estranha, limitaram-se a noticiar o acontecimento, sem qualquer relevo. Reportagem do funeral, nem uma imagem. Tivesse sido um dos cobardes que alegremente desertaram ou um líder terrorista e, certamente, seria notícia de primeira página e/ou abertura de noticiário. Assim se vão justificando os € 15 Milhões pagos para a “propaganda” socialista/comunista…

Um Estado torpe

Verdadeiramente infame é o comportamento do Governo e da Assembleia da República. O Governo, ao não ter decretado luto nacional, a Assembleia da República, face ao seu silêncio. O mínimo aceitável seria um voto de pesar. Esta atitude das nossas entidades oficiais mostra claramente ao quão baixo se chegou em termos de Valores e Princípios.

Se o Estado Português, isto é, o Governo e a Assembleia da República tivessem um mínimo de dignidade, o Senhor Tenente-Coronel Marcelino da Mata repousaria no lugar que lhe é devido – Panteão Nacional – em lugar de destaque, e após a celebração das exéquias com todas as honras que lhe são devidas. Como português, sinto nojo desta gente.

Tive a honra e o privilégio de um dia ter apertado a mão ao Senhor Tenente-Coronel Marcelino da Mata. Foi um dos dias mais marcantes da minha vida.

Uma palavra de apreço à presença do Senhor Presidente da República às cerimónias fúnebres deste Grande Português. Ao Grande Herói e a este Português Imortal, só uma palavra (a mesma que lhe disse quando o conheci). Obrigado! ■