A polémica que se instalou em torno da casa milionária do actual presidente da Câmara da capital fez necessariamente recordar outra controvérsia imobiliária: a da compra da casa de José Sócrates, de quem Fernando Medina, por sinal, foi porta-voz…

Fernando Medina nega qualquer ilicitude e garante: “Eu não comprei uma casa à Teixeira Duarte”. Mas se a classe política aborda o tema ‘com pinças’, o homem comum não esquece as semelhanças com o processo da casa de José Sócrates. Nem tão pouco que Fernando Medina foi o porta-voz do ex-primeiro-ministro socialista que anos depois foi preso em Évora, e que ainda agora aguarda por uma decisão final em julgamento onde vai chegar acusado de vários ilícitos.

Quanto a Fernando Medina, refira-se que este justificou a aquisição da sua casa – cuja operação está a ser investigada pelo Ministério Público em virtude de denúncia anónima – com razões familiares, e argumentou mesmo que pagou um preço superior ao pedido pelo vendedor e acima do valor de mercado.

Nas justificações públicas que o presidente da autarquia de Lisboa deu, a técnica argumentativa também faz lembrar a de José Sócrates sempre que era apanhado em movimentos patrimoniais inconsistentes.

Também as relações familiares são a justificação dada para a casa nova pelos dois políticos socialistas.

Sócrates no Edifício Heron, na Rua Castilho, vivia num andar e a sua mãe noutro. Agora foi Fernando Medina que quis viver ao lado dos sogros.

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