O ópio do povo

NUNO ALVES CAETANO

Diziam que Fátima, o Fado e o Futebol “alienavam” os portugueses. Mas quarenta e quatro anos depois do fim do regime que criticavam, os políticos (mesmo não sendo católicos) vão a Fátima, aplaudem os fadistas e pelam-se por aparecer em público num estádio de futebol. Pena é que não assumam as suas responsabilidades num desporto cada vez mais marcado pela violência.

Antes da revolução dos cravos, a oposição, entre muitas outras pantominices, vociferava que o futebol era o “ópio do povo”. E esta postura manteve-se após o 25 de Abril, como estratégia de denegrir tudo o que estava para trás.

Quem não se lembra da acusação de Portugal ser o País dos três F (Fátima, Fado e Futebol)?

Curiosamente, Fátima é hoje, depois do Vaticano, o lugar Sagrado Católico mais visitado no mundo.

Quanto ao Fado, como é do conhecimento geral e orgulho de todos os portugueses, é considerado “Património da Humanidade”… Ironias do destino.

Finalmente, no que diz respeito ao Futebol, actualmente não haverá droga capaz de traduzir o vício lusitano.

Antigamente, o tal “ópio” resumia-se a um programa televisivo semanal – Domingo Desportivo –, apresentado pelo carismático e célebre Alves dos Santos, popularmente conhecido como “Alves dos Cantos”, e por dois jornais desportivos, inicialmente bissemanários e posteriormente trissemanários. A isto acrescentavam-se os relatos dos jogos – todos disputados aos domingos e à mesma hora – através da Emissora Nacional e da Rádio Renascença.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
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