Os mil boys com chuva na eira e sol no nabal

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António Costa continuou na quarta feira passada, na apresentação do programa de governo, a sua habitual lista de promessas falsas, de ilusionismo e de absoluta falsidade.

Chegou ao extremo de prometer um cheque-dentista, uma ideia requentada que fica sempre bem no florilégio propagandístico, e, pasme-se, um par de óculos aos portugueses. A grande novidade a que os jornais não dedicaram muita atenção foi mesmo a promessa de um par de óculos aos jovens até aos 18 anos, uma vez que o ilusionismo dos hospitais de Lisboa Oriental, Central do Alentejo, de Sintra e do Seixal, a multidão de meios de comunicação (eles são: 10 novos navios para a Transtejo, 700 novos autocarros, 14 novas composições para o Metro de Lisboa, 18 novas composições para o Metro do Porto, 22 novos comboios para a CP e mais de 20 antigos a serem repostos em circulação, todos comprados e pagos com vento, pois os preços anunciados nos concursos são impossíveis de cumprir por qualquer empresa que não queira ter um prejuízo colossal a fornecer o Estado português) eram miragens com que tentava os papalvos antes das eleições.

Costa promete aumentos de salários, promete mais rendimentos e menos impostos, Costa promete mais filhos e sustentabilidade demográfica, Costa promete casas para todos os portugueses até 2024, ano em que, convenientemente, estaremos noutra legislatura. Costa promete combate à corrupção, como se não tivesse estado quatro anos no poder, lembrou-se agora de que a corrupção era um flagelo, prometendo, sobretudo, o dobro do tempo de inibição de cargos públicos para políticos condenados por corrupção, como se houvesse políticos condenados por corrupção. O antigo companheiro de governo de José Sócrates não promete mais meios para a justiça ou para o Ministério Público ou alterações de legislação que permitam melhor acesso das autoridades aos meios de fortuna dos políticos ou dos empresários amigos do regime, Costa promete maior tempo de inibição aos pouquíssimos políticos que foram demasiado incautos para se deixarem apanhar pelas extraordinariamente frágeis teias da lei portuguesa. Dar mais recursos é que não se anuncia. Reformar? Nunca. A grande reforma do sistema? Segundo Costa, isso é um mito! Como o próprio Costa afirma, é importante continuar no mesmo caminho. O caminho da piolheira, da choldra, da estagnação, da desigualdade, dos impostos asfixiantes, do afastamento da média da OCDE, dos meninos com cancro tratados em contentores.

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