Eva Cabral

Com o ministro da Defesa e o primeiro-ministro a sacudirem a água do capote, o estranho caso das armas roubadas de Tancos e agora encontradas na Chamusca acabou por revelar também um choque de competências. A Polícia Judiciária Militar apressou-se a retirar as armas antes da chegada da PJ, deixando a Unidade Nacional de Contra-Terrorismo, que teoricamente lidera a investigação, afastada do processo. Isto num caso de roubo que – tudo o indica, desde o início – só teria sido possível com alguma cumplicidade dentro da unidade de Tancos…

Depois dos vários mistérios envolvidos no roubo de um lote de armas da Base de Tancos, o seu aparecimento, cerca de quatro meses depois, numa mata da Chamusca, veio transformar o caso numa triste comédia, com destaque para uma ida do ministro da Defesa ao Parlamento em que este colocou mesmo em dúvida se teria havido roubo.

Com o ministro da Defesa e o primeiro-ministro a sacudirem a água do capote, como se a guarda do armamento não fosse uma matéria sensível e central para qualquer país, também as chefias militares apareceram aos olhos dos portugueses como incapazes de dar a garantia de que o País tem os paióis seguros num momento em que os alertas de terrorismo afectam toda a Europa.

Pouco depois das notícias do aparecimento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou a recuperação do material de guerra furtado nos paióis de Tancos e lembrou que a questão está a ser alvo de um inquérito do Ministério Público e da Polícia Judiciária (PJ).

Segundo a PGR, o caso é “objecto de investigação no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público, do Departamento Central de Investigação e Acção Penal”.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
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