MARTA BRITO

António Costa tem um verdadeiro pavor da contestação pública às suas políticas. Em todos os sectores. Mas a mais recente operação de chantagem levada a cabo pelos “agentes culturais”, pela sua projecção mediática, deixou-o verdadeiramente em pânico e a tomar decisões em cima do joelho.

Com o Primeiro-Ministro a receber uma carta aberta de protesto, e com atores e companhias de teatro a marcarem manifestações de rua, António Costa cedeu em toda a linha e, em dia de debate quinzenal no Parlamento, anunciou um novo reforço de 2,2 milhões de euros para o concurso de apoio às artes. Foi o segundo reforço financeiro em dias, pois passou-se dos iniciais 15 milhões de euros anuais para 17 milhões com um primeiro reforço e, por fim, para 19,2 milhões de euros. Um processo de leilão debaixo de pressão que fragiliza qualquer Executivo.

No Parlamento, Costa frisou que estes reforços de verbas são a “medida adequada” para permitir uma “avaliação serena do modelo” de financiamento público da cultura, admitindo alterações “se for caso disso”.

A regra de ouro da política de não se reagir a quente, nem com protestos públicos na rua a decorrerem, foi desta forma completamente esquecida pelo PM para satisfazer um sector que tradicionalmente considera ter direito a subsídios estatais para funcionar, como é o caso do teatro. Um sector que de forma ruidosa pode vir para a rua e para os Media protestar mostrando que – como se viu neste caso – a pressão compensa.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
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