País real vai fazer-se ouvir no Terreiro do Paço

A iniciativa partiu de um pequeno grupo de pessoas ligadas à pesca e à caça. Mas o núcleo original foi-se alargando e crescendo até ter hoje, nas redes sociais da Internet, quase 30 mil membros activos. No próximo dia 22 (uma sexta-feira), eles e muitos outros portugueses ligados a actividades tradicionais, como a agro-pecuária, a apicultura, a canicultura, a tauromaquia e a columbofilia descem à rua em defesa do Portugal real. Goste ou não goste, a capital do “politicamente correcto” vai ter de ouvi-los.

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Dia 22, às 15 horas, no Terreiro do Paço. A mensagem está a voar nas redes sociais, mobilizando portugueses a quem raramente é dada voz: caçadores e pescadores, lavradores e ganadeiros, ferreiros e abegães, apicultores e criadores de cães e de pombos, cavaleiros, toureiros e moços de forcado, ceifeiros e enfardadores, rendeiros e marceneiros, tosquiadores e carroceiros, pastores e maiorais, guarda-rios e vigilantes florestais – não há ocupação provinciana tradicional que não esteja representada na concentração marcada para daqui a duas semanas no sítio mais emblemático do poder lisboeta.

A ideia de uma manifestação começou por surgir em reacção de protesto contra a ditadura do “politicamente correcto” urbano na vida nacional – um “politicamente correcto” que já se permite ditar o que cada um come ou não come e, mais grave ainda, o que cada um pensa ou não pensa. Os primeiros textos, partilhados nas redes sociais, reflectiam precisamente essa cultura ancestral, essa necessidade de afirmação do que é português: “o nosso natural orgulho, as nossas raízes, a nossa cultura e tradições, um modo de vida, de valores e princípios, com equilíbrios sociais e em harmonia com a natureza e as suas regras”. O grito de revolta era claro: “O Portugal Rural é para afirmar e promover. Não aceitamos a desertificação de parte do território nacional, nem o esquecimento dos Portugueses que vivem no Mundo Rural. O Portugal Rural não pode ser o Portugal ‘Coitadinho’. Não nos resignamos!”.

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