Promessas, contradições e erros

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Morreu o debate sobre o programa do Governo, viva o orçamento do Estado de 2020. Será então que se começará a discernir o estado de espírito do PCP e do Bloco de Esquerda. Será então possível avaliar o medo do PCP e do Bloco em chumbarem o documento em aliança com o PSD e o CDS, razão que, segundo a intervenção do ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva, será a garantia de estabilidade para os quatro anos da legislatura. Segundo o ministro, será esse medo que guardará a vinha do Governo nos próximos anos, já que o contrário, segundo ele, seria uma traição ao eleitorado.

É provável que o ministro tenha razão nesta matéria, mas não a tem quanto ao Governo pisca-pisca, que é a consequência natural da questão anterior, na medida em que o PS tem de fazer cedências – veremos com que custo – para manter a sua decisão de governar à esquerda. Ou seja, vamos ter as mais diversas decisões baseadas nas ideologias marxistas do século XIX, muito pouco coincidentes com o interesse nacional e com o crescimento da economia. Aliás, o programa do Governo já o indicia e, sendo a coluna vertebral do Primeiro-Ministro razoavelmente elástica, não surpreenderá que António Costa e o Presidente da República consigam a estabilidade, mas com um custo elevado no desenvolvimento económico do País.

Quanto à coluna vertebral do Primeiro-Ministro, veja-se a pedagogia resultante de ter vendido aos eleitores um programa eleitoral com a promessa de legislar a reforma do sistema político e as leis eleitorais, a fim de democratizar o regime, promessa que desapareceu no programa do Governo. A elasticidade da coluna governamental deu ainda para António Costa afirmar que se tratou de uma imposição do PCP e do Bloco de Esquerda, com a nota de que se esqueceu, convenientemente, de que o PSD  de Rui Rio tem no seu programa exactamente a reforma do sistema político. De facto, a verdade, o rigor e a decência política não são o forte deste Primeiro-Ministro.

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