Sócrates pode voltar, que está perdoado

Fugir às perguntas incómodas e mentir descaradamente tornaram-se de tal forma as marcas do PS e dos seus Governos que, por comparação, José Sócrates quase parece um menino de coro. O “debate” do programa do Executivo na análise implacável de Henrique Neto

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O Partido Socialista ganhou as eleições legislativas e já foi debatido o programa do Governo. Entrámos assim num novo ciclo político, diferente do anterior, na medida em que não há um acordo do PS com os partidos à sua esquerda, mas apenas a decisão do Primeiro-Ministro de governar à esquerda. O que acontece, segundo o Governo, sem perigo de instabilidade política porque, como explicado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, o PCP e o Bloco de Esquerda terão medo de derrubar o Governo em aliança com o PSD e o CDS. Isto é, será o medo destes partidos que governará a vinha do Governo.  

Quanto ao Governo, apesar da sua dimensão que o torna mais difícil de coordenar, os seus resultados não serão muito diferentes do Governo anterior, com as suas poucas virtudes e os seus muito defeitos, que são os do próprio Partido Socialista, desde logo a mentira e a tentação de enganar os portugueses. Veja-se, por exemplo, a reforma do sistema político e das leis eleitorais, que foram a causa da publicação do Manifesto por uma Democracia de Qualidade, que está na origem do debate em curso e da proposta de lei apresentada na Assembleia da República. O PS prometeu essa reforma aos portugueses no seu programa eleitoral e borregou quanto a essa promessa no programa do Governo, enganando os eleitores. Nada de novo, portanto, já que essa recusa de democratização do regime político já leva vinte anos e pelas mesmas razões: o PS rejeita a reforma do sistema político e das leis eleitorais, evitando uma maior participação dos portugueses na vida pública, para poder escolher os deputados, paus mandados do partido, garantindo por essa via a fidelidade ao chefe. O Eng. Fernando Mendes explicou muito bem isso mesmo no jornal ‘i’ da semana passada.

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