Parte 4: Populismo – interesse nacional e interesses partidários

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Em todas as democracias há sempre alguma contradição entre o interesse nacional e o interesse dos partidos em ganhar eleições e atingir o poder, o que implica uma leitura partidária inquinada da realidade. É a qualidade dos dirigentes e a dimensão estratégica do seu pensamento e do seu programa que permite a máxima coincidência entre os dois interesses.  

Depois do PSD de Cavaco Silva, a política portuguesa tem sido dominada pelo PS; e enquanto Mário Soares possuía elevadas qualidades humanas e intelectuais e uma estratégia – consolidar a democracia e aderir à União Europeia -, os dirigentes posteriores e presentes não possuem as mesmas qualidades, e sobre todos José Sócrates e António Costa. A motivação principal de ambos é o poder e António Costa, para o conseguir, está disponível para fazer tudo o que for necessário e só considerar marginalmente o interesse nacional nas opções e decisões da governação.

Esta característica do Secretário-Geral do PS e Primeiro-Ministro esteve sempre presente antes a durante toda a legislatura e tornou-se agora ainda mais visível neste período pré-eleitoral. No passado, desde a forma como substituiu o seu camarada de partido António José Seguro, a quem nunca ajudou a fazer oposição ao PSD, esperando o momento de o poder substituir e sem quaisquer considerações éticas. Depois, fabricando a geringonça, não por ser uma solução de esquerda – António Costa é, quando muito, um burguês descendente de uma família de esquerda – mas porque era a solução que, tendo perdido as eleições, lhe permitia chegar ao poder. Ao fazer essa opção, António Costa sabia bem que teria de assumir decisões no Governo herdadas do PREC, contrárias ao interesse nacional e destinadas a satisfazer ideologias do século XIX, mas nunca hesitou, procurando apenas, em alguns casos, reduzir os danos em questões de fundo, mas aproveitando a popularidade resultante de todas as medidas desenhadas para obter esse efeito.

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