Paulo Rangel: “Costa já não governa, vive em campanha permanente”

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“Julgo que a globalização e a digitalização deixaram para trás camadas relevantes da população. E isso criou uma clivagem. É um ressentimento que abriu as portas aos demagogos” – frisa o cabeça-de lista do PSD às eleições europeias de Maio. Em resposta a um questionário d’O DIABO, Paulo Rangel reconhece estar muito preocupado com a Venezuela: “De há muito que sigo a situação da comunidade lusa e do povo venezuelano. Foram muito esquecidos pela comunidade internacional e até pelo Governo português”. Quanto ao Brexit, reconhece que os portugueses residentes no Reino Unido têm fortes razões para estarem preocupados. Eleito pela primeira vez em 2009 e novamente em 2014, Paulo Rangel parte para a campanha com optimismo: “O único resultado que o PSD perspectiva é ganhar as eleições”.

Acusou recentemente o Governo de “falhar” na preparação para o ‘Brexit’ e estar “francamente mal” quanto à protecção de cidadãos e empresas e à salvaguarda dos interesses geopolíticos. O que ficou por fazer?
O Governo confunde o reconhecimento de direitos recíprocos (que é estrutural e duradouro) com um verdadeiro plano de contingência. Este passa por reforçar largamente a rede consular e por um estudo de impacto (sobre cidadãos, empresas, economia) que, pasme-se!, nunca foi feito.

Disse que a dimensão “mais importante” do impacto da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) envolve os cerca de 400.000 portugueses residentes no Reino Unido e as muitas empresas que exportam para ou importam do país. Os nossos concidadãos devem estar preocupados?
Sim, devem. Devem, pela gravidade dos efeitos de uma saída sem acordo e, em qualquer cenário (mesmo positivo), pela enorme instabilidade que está criada. Mas também pela inércia e omissão do Governo português, que se limitou a uma declaração de reconhecimento de direitos, sem nenhuma acção no terreno.

Como vê a crescente presença de extremismos no espaço da EU? Como se evitam os extremismos?
Vejo com grande preocupação. Só se pode evitá-los, começando por os denunciar! E por não pactuar. Há algo muito importante: não ter duplo padrão. A situação hoje na Roménia, na Eslováquia e em Malta é grave, mas como têm governos socialistas são objecto de uma tolerância sem paralelo.

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