Sem pinga de vergonha

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António Costa decidiu dar tudo por tudo para melhorar o seu resultado eleitoral nas europeias e, sobretudo, nas legislativas. Sem pinga de vergonha, o primeiro-ministro pôs em marcha um bodo aos pobres com um descarado intuito propagandístico.

A história é a velha política do “bacalhau a pataco” actualizada aos dias de hoje, com acções de mero ‘spin’ que deveriam fazer corar o mais trauliteiro dos políticos. Mas Costa não cora em nenhuma situação. Sabendo que o português médio ainda acredita que o Governo “dá” coisas, em vez de pensar que os impostos não param de subir para se dar vazão a medidas discriminatórias, pode ser que alguém dê em troca um votozinho para encher o PS. Os passes em saldo nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto são pagos (também) pelos impostos de quem vive no Interior e não tem transportes para lado nenhum. Desta feita, só o líder do PSD, Rui Rio, denunciou a situação (ver peça em caixa).

Os saldos (só em parte) nos passes sociais dos transportes públicos entraram em vigor no emblemático dia das mentiras, 1 de Abril, e outros só arrancam lá para Junho ou Julho, para caírem em cima das eleições legislativas. A palhaçada da viagem do PM entre a Ericeira e Setúbal, acompanhado de Fernando Medina e de outros autarcas de diversas colorações partidárias, é uma mancha na Democracia e a prova de que Costa já não governa: apenas faz campanha todos os dias.

Nesse mesmo dia, o PCP reivindicava a paternidade da medida com outra acção de propaganda de lascar. Viajou num comboio e deixou dois passageiros ‹escolhidos a dedo› darem os parabéns ao PCP pela descida do valor dos passes. As imagens televisivas eram hilariantes. Mas foram transmitidas a seco, sem nenhum enquadramento, e sem que o jornalista questionasse outros passageiros não tão ‹vermelhos› como os que o PCP ali plantou.

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