As eleições autárquicas do último Domingo impuseram uma pausa no conflito latente entre Portugal e Angola, mas é inevitável que o tema (incómodo tanto para Costa como para Marcelo) volte bem depressa à ordem do dia. A assobiadela ao PR e a omissão de Portugal no discurso de posse do novo chefe angolano dificilmente poderão ficar sem resposta.

Por mais que o Presidente da República queira dourar a pílula, a sua recente passagem por Luanda, onde foi participar na cerimónia de posse do novo tiranete angolano, não poderá considerar-se gloriosa.

É certo que se banhou nas águas cálidas da ilha de Luanda (por sinal, com uma fiada de petroleiros no horizonte a toldarem a fotografia…), tirou centenas de ‘selfies’ e andou no meio do povo com a sua habitual descontracção – mas isso não é novidade nem argumento: há centenas de anos que Portugal tem uma ligação sentimental com os angolanos e não há regime que consiga destruí-la.

Por isso Marcelo Rebelo de Sousa pode afirmar, sem risco de ser desmentido, que foi recebido de braços abertos – pelo povo de Luanda. Quanto às entidades oficiais, é verdade que lhe concederam audiências de aperto de mão e foto oficial. Mas o resto é que interessa…

E o resto é difícil de engolir. Começou antes da própria cerimónia de posse, quando uma voz-off chamava pelos altifalantes os convidados estrangeiros presentes na bancada vip. E lá chegou a vez do Presidente português, que talvez devido à posição em que se encontrava não conseguiu perceber inteiramente o que se passou e ouviu no horrível Memorial Agostinho Neto, uma espécie de praça coreana própria para desfile de tanques militares.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.