As eleições autárquicas do último Domingo impuseram uma pausa no conflito latente entre Portugal e Angola, mas é inevitável que o tema (incómodo tanto para Costa como para Marcelo) volte bem depressa à ordem do dia. A assobiadela ao PR e a omissão de Portugal no discurso de posse do novo chefe angolano dificilmente poderão ficar sem resposta.

Por mais que o Presidente da República queira dourar a pílula, a sua recente passagem por Luanda, onde foi participar na cerimónia de posse do novo tiranete angolano, não poderá considerar-se gloriosa.

É certo que se banhou nas águas cálidas da ilha de Luanda (por sinal, com uma fiada de petroleiros no horizonte a toldarem a fotografia…), tirou centenas de ‘selfies’ e andou no meio do povo com a sua habitual descontracção – mas isso não é novidade nem argumento: há centenas de anos que Portugal tem uma ligação sentimental com os angolanos e não há regime que consiga destruí-la.

Por isso Marcelo Rebelo de Sousa pode afirmar, sem risco de ser desmentido, que foi recebido de braços abertos – pelo povo de Luanda. Quanto às entidades oficiais, é verdade que lhe concederam audiências de aperto de mão e foto oficial. Mas o resto é que interessa…

E o resto é difícil de engolir. Começou antes da própria cerimónia de posse, quando uma voz-off chamava pelos altifalantes os convidados estrangeiros presentes na bancada vip. E lá chegou a vez do Presidente português, que talvez devido à posição em que se encontrava não conseguiu perceber inteiramente o que se passou e ouviu no horrível Memorial Agostinho Neto, uma espécie de praça coreana própria para desfile de tanques militares.

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  • Paulo Reis

    O verniz está a estalar, mas depois Santos Silva vai pedir perdão ao governo angolano, e tudo fica bem. Portugal serve de máquina de lavar ao dinheiro dos poderosos de Angola, sem que se façam perguntas incomodas. Por isso não há grande interesse que as relações sejam cortadas. Os democratas portugueses estão dominados pelos dolares angolanos, por isso tudo fazem para manter as aparências. Jogo duplo, pois o interesse é mutuo.

  • Alibaba de Massamá