António Costa vai a votos nas eleições autárquicas com a esperança de vencer as primeiras eleições na história da sua liderança do PS. Para vencer baseia-se na barragem de “boas notícias” espalhadas por um autêntico ministério da propaganda socialista, com a aquiescência daquela que outrora foi a classe dos jornalistas e hoje não passa de uma brigada de porta-microfones. Ao fim de quase dois anos de geringonça, e com as negociações para o Orçamento do Estado em cima da mesa, relembramos o que está para além da peneira com que tentam esconder a realidade.

Os habitantes dos grandes centros urbanos têm uma certeza na vida: mal se fala numa “boa notícia”, logo surge um cartaz a enaltecer as maravilhas do Governo socialista e do seu glorioso líder. E as “boas notícias” surgem de forma bem estratégica, tendo o INE anunciado um “crescimento” económico maior do que o previsto apenas dias antes das eleições autárquicas.

A imprensa alinha no jogo, replicando com fulgor provinciano qualquer notícia, por mais irrelevante que seja, dos jornais estrangeiros sobre o “sucesso” das políticas de Costa. Este culto das “boas notícias” é uma prioridade, claro, para um partido que controla o Executivo mas não vence uma eleição legislativa desde 2009. Esse “pequeno” facto é mais um dos aspectos propagandísticos a ultrapassar: apesar de se apresentar como um partido representativo da vontade dos portugueses, o Partido Socialista não vence eleições legislativas há mais de oito anos, e sondagens não são eleições, tal como Costa descobriu em 2015.

Mas, a acreditar nas sondagens, Costa e companhia caminham para uma vitória nas eleições autárquicas e nas próximas legislativas, tudo baseado na premissa do “virar a página da austeridade”, que na verdade nunca aconteceu. Para além da propaganda, o Governo socialista pouco mais fez do que segurar aquilo que já tinha sido feito.

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