A reforma do sistema de supervisão do banco central, em que o Governo deseja passar a ter maior intervenção, está a azedar as relações entre Carlos Costa e o departamento de Mário Centeno.

Em Portugal, os economistas que se dedicam à macroeconomia acabam por se cruzar quase todos no Banco de Portugal, uma polifonia de correntes académicas e polémicas políticas.

Nada de estranho quando se verifica que Mário Centeno, enquanto quadro do Banco de Portugal, teve Carlos Costa como Governador, e se sabe até que este não tinha em grande conta o seu então subordinado.

Mas a recente briga entre o Ministério das Finanças e o Governador do Banco de Portugal (BdP) tem de ser lida também à luz dessa realidade laboral: dois homens hoje envolvidos numa polémica séria, com Carlos Costa a fazer acusações graves às Finanças, e estas e pedirem a Carlos Costa para se retractar.

Enfim, uma espécie de duelo dos tempos modernos, e sem riscos para os dois intervenientes, pois aconteça o que acontecer acabarão os seus dias com confortáveis pensões do Banco de Portugal.

Independência em causa

O governador afirmou – numa conferência que o BdP organizou em Lisboa sobre gestão de risco nos bancos centrais, que contou com a participação de responsáveis de bancos centrais da União Europeia – que há tentativas de pôr em causa a independência dos bancos centrais, mas que isso não é exclusivo de alguns países. É antes uma tentação comum face às entidades que guardam o “tesouro”. A reacção do Ministério das Finanças não se fez esperar, apesar de Mário Centeno não ter dado a cara.

“É lamentável”, disse fonte oficial das Finanças. “Nunca foi essa a postura nem a forma como o Ministério das Finanças se relacionou com o Banco de Portugal. Esperamos que o senhor governador se retracte das declarações que fez, em nome de um relacionamento institucional saudável”, acrescentou a mesma fonte.

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