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recessão começa em 2023 e ninguém sabe quando acaba. Os economistas costumam falhar nas previsões e incertezas como a guerra na Ucrânia, as tensões na China e o Covid-19 – que está aí em força – aconselhavam prudência. Com o PS prudência é palavra fora do dicionário.
Nada disso foi feito. Seguiram o jeito socialista de empurrar com a barriga, que mais à frente logo se vê. Não temos um Governo. Temos um susto permanente de uma gente sem rei nem roque.
O que diz Lagarde
Mas vamos ao que avisou a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, logo no arranque da semana. Frisou que ficaria “surpreendida” se a inflação da zona euro já estivesse no pico, pela “grande incerteza económica, classificando as taxas de juro como o principal instrumento de combate. A inflação, como bem ensinou durante o seu consulado, é um imposto escondido e os portugueses se já hoje a sentem, em 2023 a situação tende a piorar, e muito.
“Gostaria que a inflação tivesse atingido o seu pico em Outubro, mas penso que há demasiada incerteza, pelo que obviamente que me surpreenderia se isso acontecesse”, declarou Christine Lagarde.
Intervindo numa audição na comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas, a responsável destacou o actual “ambiente de grande incerteza e com choques complexos que afectam a economia, notando que as decisões do Conselho do BCE continuarão a depender dos dados e a seguir uma abordagem de reunião a reunião.
Certo é que, para Christine Lagarde, “as taxas de juro são, e continuarão a ser, o principal instrumento para combater a inflação”.
E acrescenta: “Estamos empenhados em reduzir a inflação para o nosso objectivo a médio prazo e estamos determinados a tomar as medidas necessárias para o fazer”, sublinhou a responsável, admitindo “aumentar ainda mais as taxas para os níveis necessários, de forma a assegurar que a inflação regresse atempadamente ao objectivo de médio prazo de 2%”.
Ainda assim, Christine Lagarde adiantou que “o caminho a seguir e a rapidez para lá chegar serão baseados nas perspectivas actualizadas, na persistência dos choques, na reacção dos salários e das expectativas de inflação”.
A taxa de inflação atingiu, em Outubro passado, um pico de 10,6% na zona euro, principalmente “puxada” pela componente energética, dada a actual crise no sector e a guerra da Ucrânia, cujas tensões geopolíticas pressionaram ainda mais o mercado energético europeu.
Marcelo pessimista
“Vamos esperar que isto que está a marcar o fim de 2022 e o começo de 2023 não dure todo o ano, dure apenas uma parte limitada do ano, provavelmente um trimestre ou um semestre”, diz o Presidente da República, tentando evitar agravar um pânico larvar que já se sente na sociedade portuguesa.
O Presidente da República alertou para um 2023 “cheio de incertezas”, considerando que o próximo ano “vai ser muito mais difícil” do que 2022, devido à guerra na Ucrânia e ao aumento da inflação e das taxas de juro.
“O facto de a guerra continuar, o facto de a inflação continuar e haver uma certa incerteza quando à duração desta situação, que passa para o ano que vem, tudo isso aponta para um ano 2023 mais complicado do que o de 2022 e cheio de incertezas. E, no fundo, o que se passa é que, quem tem de tomar decisões, como é o caso do Banco Central Europeu (BCE) e de outros bancos centrais, estar perante as incertezas, tomar as suas precauções”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.
“A elevação e a contínua elevação da taxa de juro significa uma preocupação muito grande com a incerteza de 2023. Vamos esperar que isto que está a marcar o fim de 2022 e o começo de 2023 não dure todo o ano, dure apenas uma parte limitada do ano, provavelmente um trimestre ou um semestre, no pior dos cenários. Mas nenhum de nós tem a certeza sobre isso”, salientou o Presidente da República.
Rendas e prestações
Neste momento são muitos os portugueses que começam a não ter dinheiro para pagar a renda ou as prestações das casas. E a situação tende a piorar, já que uma recessão vai fazer aumentar o desemprego em espiral.
A associação Cáritas já começou a receber pedidos de ajuda de pessoas que não conseguem pagar os seus empréstimos para habitação devido à subida das taxas de juro, medida que causou “pânico imediato”, disse a presidente da instituição.
“O pânico foi imediato. O receio das pessoas, a angústia com que se aproximavam de nós a dizer ‘ai, se eu perco a minha casa’. É que nós tivemos uma crise em que houve muita gente a perder a casa; é recente ainda, está na memória das pessoas – 2008”, afirmou.
Para já são “pontuais” os casos de pessoas que procuram a ajuda da Cáritas com empréstimos à habitação e que não os conseguem pagar devido à subida das taxas de juro, mas que já existem.
As taxas Euribor começaram a subir mais significativamente desde 4 de Fevereiro (ver texto em caixa), depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter admitido que poderia subir as taxas de juro directoras este ano devido ao aumento da inflação na zona euro, tendência reforçada com o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de Fevereiro.
O medo do incumprimento do pagamento dos empréstimos bancários e de outras despesas que têm aumentado – dos alimentos ao gás, electricidade e combustíveis – não é apenas sentido por quem não tem emprego, esclareceu Rita Valadas.
“Temos pessoas que têm um rendimento, esse rendimento permitia-lhe viver com alguma estabilidade e, de repente, já retiraram todas as gorduras, já passaram às marcas brancas, já fizeram isso tudo e começam a prescindir de consumir determinados alimentos, o que pode ter efeitos na dieta alimentar e na saúde”, adiantou.
E reforçou: “É de facto o que está a acontecer com as pessoas que, embora tendo pensões ou empregos, o seu rendimento não permite comprar tudo o que precisariam para gerir a vida”.
Nesse sentido, “estão identificados nos números da pobreza muitos trabalhadores, porque o rendimento é muito baixo e quanto mais aperta o custo de vida, naturalmente para menos chega o rendimento que já é baixo”.
“Estas pessoas vivem a mesma angústia do que os outros que não têm trabalho”, prosseguiu.
“As pessoas usam todos os recursos que podem para proteger as coisas que mais as assusta perder, que é a casa, e por isso vêm pedir quando não têm dinheiro suficiente para pagar a renda, a luz, a água, essas despesas que transformam uma vida razoável numa vida insuportável, na sua ausência, e que são aquelas que levam as pessoas a aproximar-se e a pedir ajuda”, explicou.
“Estamos a viver um tempo em que tudo sobe: sobem as rendas, sobe a alimentação, sobe a energia, tudo sobe” e, “quanto mais baixo é o rendimento, mais rápido deixam de conseguir suportar esses custos”. ■




