Rui Moreira é o verdadeiro dono dos sociais-democratas no Porto

0
585

Ao derrotar o PSD nas eleições autárquicas de 2013, Rui Moreira abriu um rombo monumental no couraçado social-democrata da invicta, destruindo a sólida e temível unidade partidária conquistada até então. Rui Moreira, com o patrocínio do Presidente da Câmara cessante Rui Rio, capturou para a sua candidatura independente figuras de relevo do PSD do Porto, desiludidas com a forma como o partido encarava as suas responsabilidades políticas na autarquia portuense.

As feridas abertas por esta luta não pararam de sangrar até aos dias de hoje e os conflitos, inicialmente instalados, perduram sob a batuta do denominador comum: o independente Rui Moreira que tem utilizado, para seu proveito e a seu belo prazer, a permanente ausência de uma estratégia autárquica para a cidade, a escassez de protagonistas credíveis no combate político, os constantes desaguisados laranja e o sono profundo dos militantes, anestesiados pela inação política local. Moreira tem percorrido os seus mandatos em modo «passeio» sem se confrontar com uma oposição firme e determinada quer no executivo, quer na Assembleia Municipal. 

Desde então que as direcções distritais e concelhias do PSD se vão confundindo por decalque com os próprios autarcas, numa troca repetida de lugares onde navegam descoordenadamente, sem estratégia e sem um rumo.

Confinaram o PSD a laços de união fraterna entre os mais chegados e amarraram o PSD às políticas concebidas e desenvolvidas por Rui Moreira.

Afunilaram o pensamento e transformaram o partido numa espécie de balcão simplificado de pensamento único. Vivem o presente ignorando o passado e a história do PSD e deslumbram-se entre as pequenas ofertas passageiras e as benesses temporárias na área de influência da autarquia. Verdadeiras «barrigas de aluguer» das propostas e objectivos que Moreira preconiza para o Porto e para o seu movimento unipessoal. Confirmado está que quanto pior estiver o PSD do Porto, melhor estará Moreira e quem com ele negociar.

A sabedoria popular raramente se engana e como diz o povo «albarda-se o burro, conforme a vontade do dono», e nisto Moreira tem sido exímio, tem-se revelado o verdadeiro dono dos sociais-democratas no Porto e «sela as bestas» conforme a conveniência e as necessidades do momento e as criaturas, sem a orientação política que lhes determine o caminho, por lá, vão pastando. Amarradas, é certo!

O episódio mais recente da aceitação de um lugar no conselho de gerência dos STCP Serviços, pelo número dois da vereação do PSD e presidente da distrital, consentido e aprovado simultaneamente pelo presidente da concelhia do PSD do Porto e seu sucessor à frente da presidência da Junta de Paranhos, por troca de influências, na obtenção dos votos favoráveis dos sociais democratas na Assembleia Municipal e o seu no Executivo camarário, contrariando um acordo político anteriormente assinado, são a caricatura mais fina do que atrás ficou definido por “albardar a besta”.

Como se confirma, tudo se confunde e por imitação tudo se multiplica tantas quantas vezes desejam, é tudo uma questão de imaginação tornada realidade, senão vejamos:

Na linha de sucessão autárquica, o actual presidente da Junta de Freguesia de Paranhos sucedeu no cargo – por limite de mandatos – ao amigo que é actualmente o vereador do PSD que, por sua vez, já lhe tinha sucedido na presidência da mesma freguesia e o actual vereador sucedeu-lhe no lugar e na mesma posição, anteriormente ocupada pelo seu sócio, na lista da CMP. Ou seja, nos últimos doze anos a alternância fez-se com régua e esquadro entre os mesmos na lógica dos interesses pessoais dos beneficiados. Tão só!

Enquanto que, na linha de varonia partidária, o milagre da multiplicação também se replica e triplica – «são rosas, Senhor»! -, o actual presidente da concelhia do PSD substitui no cargo o sócio que, por sua vez, também já tinha alternado com ele. O presidente da distrital suporta e apoia o presidente da concelhia e o inverso torna-se obrigatório e verdadeiro pela via societária.

São, assim, ambos o garante de si mesmos – uma espécie de seguro de vida por morte – na defesa política de cada um, canalizando toda a energia produzida pelos cargos exercidos como «facilitadores de procedimentos» de um para o outro no interesse pessoal e no do grupo organizado. Chamam-lhe a «pescadinha de rabo na boca» com nepotismo à mistura e dizem que «não dão ponto sem nó»! Quem sabe? A ver vamos e temos por aí uns nós mal atados!

Esta é a ensarilhada que tem caracterizado o PSD no Porto, esta é a linha matriz de actuação que tem produzido resultados nefastos cada vez mais desencorajadores na participação política e na captação de novos militantes. Este é o retrato negro duma batota organizada, manipuladora e dependente de um conjunto de favorecimentos capazes de sustentar a manutenção da pirâmide de interesses.

Este é o resultado duma condução política incapaz, liderada por gente irrelevante e medíocre, cujo objetivo visa tão só encarcerar o pensamento, castrar a diversidade de opinião e destruir em definitivo a notoriedade e prestígio alcançado pelo PSD.  E ainda assim justificam em público que os maus resultados no Porto na última década se devem “ao estreitar de eleitorado do PSD» e à estratégia do partido ao centro que “libertou um eleitorado mais à direita que tradicionalmente se revia dentro do amplo espectro ideológico do PSD”. Até pode ser, mas digam-me, por favor, esta batota interna permanente não entra na equação dos brilhantes resultados alcançados? ■