Sem liberdade para pensar

Nas ricas Inglaterra, Holanda ou Suíça, com democracias avançadas e verdadeiramente representativas, existe diversidade e presença da população em geral na televisão, incluindo quem discorda a sério do governo e faz perguntas duras e profundas sobre o funcionamento do regime. Já em Portugal, na TV nacional e nos jornais autoproclamados “de referência”, só vemos, sempre e há décadas, as mesmas figuras favoráveis ao regime dos negócios ruinosos misturados com política, que nos põem em último e os mais pobres da Europa.

Na semana passada, na noite de 14 de Julho, aconteceu mais um dos muitos episódios reveladores desta escuridão censuradora e limitadora do pensamento e da liberdade de opinião na televisão nacional. Claustrofobia insuportável que faz de tantos portugueses tão pobres de bolso e de liberdade para pensar.  

A RTP deu destaque, para opinar sobre liberdade de imprensa, ao eternamente omnipresente Lobo Xavier, que afirmava assertivamente, com todo o à-vontade e sorridente, que não notava na nossa televisão qualquer viés ou censura, que isso era um problema “lá fora”, mas cá dentro era tudo maravilhoso e muito plural ideologicamente. Um exemplo mundial! 

Na TVI, que já foi questionadora, mas agora tornou-se demasiado domada pelo regime, exactamente à mesma hora, exactamente o mesmo Lobo Xavier desmentia por actos as suas próprias mentiras orais, através da sua presença no programa Circulatura do Quadrado. Só temos três estações televisivas nacionais mas, ora em directo, ora em diferido, este paladino do regime apodrecido, porque cada vez mais cleptocrático e menos democrático, conseguia estar em 67 por cento das estações simultaneamente. Isto apesar de haver sondagens recentes que dão apenas 0,3 por cento dos votos ao CDS. No entanto, Xavier não está na TV ao serviço do seu partido declarado, mas do seu verdadeiro partido escondido e nunca confessado. Há muitos outros comentadores omnipresentes, Louçã, Pacheco ou Mendes, por exemplo, que mentem que são de direita ou de esquerda, quando todos são é úteis ao partido invisível dos negócios ruinosos misturados com políticos. Não são os mesmos de sempre, obviamente, que agora vão reformar Portugal. 

Na realidade, na nossa televisão, há 100 por cento de representação dos políticos que deixaram este regime apodrecer tanto e quase 0 por cento de representação da sociedade civil, profissional, questionadora e inteligente. Isto porque sabemos que a SIC, fazendo jus ao seu nome traduzido do inglês “sick”, é ainda mais doente que as outras duas estações em termos de submissão ao regime. 

O grupo empresarial da SIC apesar de, tal como a TAP, pagar aos directores – por exemplo irmãos de políticos – salários incomportáveis, muito acima da média internacional (quanto mais da média portuguesa), tal como a TAP, também deve centenas de milhões à banca. Ninguém lá escreve voluntária e genuinamente para o bem comum de Portugal. Esperam que seja o fundo de resolução dos contribuintes a pagar as dívidas bancárias da sua incapacidade ou indisponibilidade, para atrair audiências mais diversas e abrangentes. Sempre o partido invisível dos negócios misturados com políticos a arruinar Portugal inteiro, enviando-nos para níveis sub-europeus de salários, dívida pública e custo de energia. Isto para beneficiar uma eterna meia dúzia de bajuladores e ladrões, amigos de políticos, em negócios que vão do futebol à banca, a prejudicar várias gerações de 13 milhões de portugueses, dentro e fora de Portugal.  

Há muitos fazedores de opinião que, apesar de mentirem que são ideologicamente de direita ou de esquerda, nunca põem em questão nada de específico sobre a corrupção política e no topo da justiça endémica. Quanto menos óbvio for que servem o partido invisível e mais disfarçarem que a ideologia tem mais palco na TV e “jornais de referência”. Vemos comentadores do Bloco de Esquerda por todo o lado na TV, mas nenhuns do IL ou do Chega, que eleitoralmente juntos valem bastante mais. Esses têm de ir para o Youtube, porque a TV nacional fecha-lhes todas as portas, para não falarem nem de corrupção, nem de impostos altos, dois sustentáculos do regime e do estado apodrecido.

A nossa televisão tornou-se no recreio pessoal de um conjunto de escritórios de advogados, ajudados por comentadores ridículos de esquerda caviar, que se entretêm a falar de causas ‘woke’ americanas ou inglesas, sem nunca apontar um dedo específico ao que de grave se passa a nível nacional. Falamos das também omnipresentes Susanas Peraltas desta vida. Estas, enquanto opinam que a classe média devia ser taxada ainda mais e mais com mais impostos, elogiam bajuladoramente o promíscuo Mário Centeno, que ora é ministro das Finanças, ora no minuto seguinte é governador do Banco de Portugal, sem nunca ver nada da corrupção bancaria que faz desaparecer o esforço de todos os nossos impostos para os bolsos só de alguns. É de Peraltas e Centenos que o partido invisível dos negócios misturados com políticos gosta! 

Outro paladino televisivo, omnipresente e pago pelo partido invisível para propagandear as supostas virtudes do nosso regime miserável e sub-europeu, Pedro Adão e Silva, também e há décadas está simultaneamente muitas vezes em vários canais e jornais a papaguear que ora Sócrates, ora Costa, são grandes primeiros-ministros e o país está num rumo muito positivo, apesar de estarmos sempre cada vez mais dependentes da Europa, mais endividados e mais em último lugar na UE. Não há pensamento nem liberdade para representação da inteligência civil nos “media” que diga os factos como eles são, só há subserviência acéfala e mercenária ao regime, a tentar vender-nos a ilusão que não somos os piores porque governados pelos piores como Costa ou Cabrita, toda a vida políticos que nunca geriram nada que tivesse de dar lucro e não vivesse dos contribuintes.  

Reveladoramente, a única televisão que denunciou a promiscuidade terceiro-mundista do propagandista do regime, Adão, ser pago 350 mil euros para organizar um evento de um dia (um preço centenas de vezes superior ao mercado internacional de organização de eventos), foi uma televisão regional, o Porto Canal. Felizmente, ao menos fora de Lisboa há liberdade e verdade em vez de promiscuidade e falsidade na televisão. Parabéns ao “pivot” do Porto Canal, Tiago Girão, por ser um oásis de patriotismo e coragem entre os nossos jornalistas televisivos. O Porto ensina jornalismo a Lisboa!  

Na capital, nos jornais impressos e televisões nacionais, há uma enorme e total falta de diversidade e de liberdade de pensamento para questionar tudo o muito que vai mal em Portugal. Fala-se de vacuidades e detalhes irrelevantes enquanto Portugal mingua e os portugueses emigram de tanta pobreza, consequente da ladroagem do regime. Teremos assim mais décadas de Portugal em último da Europa, com pobreza e cleptocracia metastática, mas com estes paladinos sempre a branquearem múltiplos ladrões do regime que só Carlos Alexandre, um herói nacional, consegue prender. Não são os comentadores almas perdidas e gastas do regime que criticam este juiz herói que vão revigorar ou reformar algo. Querem ladrões à solta para tudo continuar na mesma e o dinheiro continuar a cair nas suas contas e dívidas.  

Conclusão, a televisão portuguesa não tem qualquer diversidade e tem sempre as mesmas múmias defensoras do regime, como Lobo Xavier ou as suas cópias mais novas, há décadas em todo o lado a opinar sobre tudo superficialmente, para que nada mude profundamente. ■ 

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