Suzana Garcia, Candidata do PSD na Amadora: “Eu não vergo!”

“Quero fazer da Amadora o concelho mais seguro do país. Estou pronta a conciliar-me com todas as pessoas que defendam o melhor para a Amadora, a quarta maior cidade do país e um dos concelhos mais importantes da Área Metropolitana de Lisboa” – afirma a O DIABO Suzana Garcia, cabeça de lista, pelo PSD, de uma coligação alargada de centro-direita.

0
440

Foi convidada pelo PSD para encabeçar uma lista de coligação à autarquia da Amadora. Como decorreram as negociações?

As negociações correram até agora muito bem. Estão fechadas com o CDS e o PDR, que compõem desde já a minha coligação. E estão em fase adiantada de conclusão com outros partidos políticos. Penso que estaremos em condições de anunciar as bases do nosso acordo já durante a próxima semana.

Que partidos integram esta nova AD?

O CDS e o PDR. E mais três partidos políticos do espaço do centro democrático, cujo anúncio divulgaremos já na próxima semana.

Ficou surpreendida com o convite para ser candidata autárquica?

Nunca fui política, por isso fui surpreendida com o convite que o PSD me fez. Não estava no meu horizonte, nem nos meus planos, entrar para a política. Mas feito o convite, e perante a actual situação nacional, entendi que não poderia continuar sem dar o meu contributo activo. Por isso entrei neste combate eleitoral autárquico na Amadora, precisamente a quarta maior cidade do país e um dos concelhos mais importantes da Área Metropolitana de Lisboa.

Houve uma reacção pouco usual à sua candidatura. Estava à espera?

Já esperava uma reacção forte. Tenho consciência de que ganhei reconhecimento junto da opinião pública como advogada e comentadora em programas televisivos que abordam o fenómeno criminal e a segurança pública, e que essa exposição, apesar de me ter trazido muitos apoios, trouxe-me igualmente detractores, e muitos ataques ao meu carácter. No entanto, esses detractores da esquerda cortesã (e também de alguma direita acomodada e cúmplice com a esquerda) enganaram-se acerca da minha resistência: eu não vergo.

O que eu sinceramente não esperava era a dimensão e o baixo nível de alguns desses ataques. Muitos dos ataques de que sou alvo, por parte da esquerda radical, são apenas movidos pelo sexismo e pelo machismo mais vulgares. A verdade é que muitos dos ataques que me são feitos nunca seriam feitos da mesma forma, fustigando inclusive a minha aparência física, se em vez de mulher eu fosse um homem e, se ao invés de eu ser de direita, eu fosse de esquerda.

Considera que é uma pessoa fracturante ou reconhece em si uma personalidade conciliadora?

Sou sobretudo uma pessoa de convicções. Vim para a Amadora para enfrentar o poder ininterrupto de 24 anos do PS num dos principais concelhos do país. Sou uma mulher que tem uma missão: dar voz ao concelho da Amadora e tornar este concelho um concelho desenvolvido e próspero, com qualidade de vida. Quero fazer da Amadora o concelho mais seguro do país. Estou pronta a conciliar-me com todas as pessoas que defendam o melhor para a Amadora.

Tem alguma experiência autárquica anterior?

Não. Nunca fui política.

PS e PCP lideram a autarquia desde 25 de Abril. É tempo de mudar?

Esta é a última oportunidade para a Amadora. As pessoas da Amadora merecem poder romper com décadas de insegurança e de declínio social e económico. A Amadora é mais insegura do que quase todos os concelhos que lhe são limítrofes, com mais crimes registados pelas polícias, em percentagem da sua população, do que Odivelas, Oeiras, Loures e Sintra.

Cada habitante da Amadora tem, em média, apenas nove metros quadrados de área verde disponível para fruir. O Hospital Prof. Fernando da Fonseca vive em situação de pré-ruptura e é incapaz de servir condignamente a sua população. Existe uma insuficiência crónica em matéria de infraestruturas e de serviços básicos de saúde, com um rácio de profissionais de saúde por cada mil habitantes que é metade do verificado em toda a Área Metropolitana de Lisboa (AML). Apresenta uma permilagem de 7,2 de Taxa Bruta de Mortalidade Infantil, sensivelmente o dobro da verificada na AML. Tem uma taxa de retenção e de desistência no Ensino Básico substancialmente superior à que se verifica na AML. Entretanto, 28 por cento das crianças com idade inferior aos seis anos não frequenta ainda o ensino pré-escolar. Ainda existem “bairros de barracas” e subsiste ainda um elevadíssimo número de famílias a viver em bairros e habitações sem condições mínimas de salubridade, segurança e conforto.

Quais as suas prioridades para o concelho, caso vença as eleições?

A principal prioridade é acabar com a insegurança quotidiana dos cidadãos e fazer da Amadora o concelho mais seguro do país. As seguintes prioridades são acabar com a sujidade das ruas e com a degradação física e social dos bairros do concelho, eliminar todas as barracas, regenerar os actuais guetos urbanísticos e quebrar o círculo vicioso da pobreza.

E em paralelo realizar as obras estruturantes nunca concretizadas na Amadora e que tornam este concelho num mero dormitório de Lisboa, tornando a Amadora num concelho onde as pessoas vivam com orgulho, e por escolha própria, e não apenas por necessidade. Fazer da Amadora uma cidade de oportunidades e de emprego qualificado.

Quais são as principais riquezas do concelho?

A maior riqueza da Amadora é o seu capital humano: as suas pessoas. E também a sua centralidade geográfica no âmbito da Área Metropolitana de Lisboa. Uma centralidade geográfica que quero transformar em centralidade económica, cultural e social.

Preocupa-a um Verão quente em matéria de incêndios?

Sim. Até porque o historial do ministro Cabrita deixa obviamente os portugueses preocupados e desconfiados.

Está politicamente
activa há quantos anos?

Sou simpatizante do PSD. Sempre o fui. Mas nunca estive envolvida na política até agora.

Qual foi o seu percurso?

Foi o percurso de uma mulher que se fez advogada e que sempre viveu do seu trabalho.

Como está a saúde
da nossa Justiça?

A nossa Justiça poderia servir melhor o nosso Estado de Direito democrático. Infelizmente a defesa das vítimas não tem sido a prioridade política que moralmente se impõe no âmbito do Direito Penal. A nossa sociedade sente como necessário um endurecimento das penas e dos termos da sua respetiva execução, especialmente no caso dos crimes graves e violentos contra a vida, contra a integridade física, e contra a autodeterminação sexual das pessoas. Tem vindo a fazer o seu curso de uma percepção de dualidade da Justiça, de uma Justiça para os cidadãos comuns e de outra para os mais poderosos. O sistema judicial não se tem mostrado preparado para sancionar o mal da corrupção.

A este respeito queria dar uma palavra de conforto aos homens e mulheres do Ministério Público que dão o seu melhor pela comunidade, apesar da falta de condições e de meios que a Administração da Justiça coloca ao seu dispor.

Como está a saúde
da nossa Democracia?

Constata-se mundialmente uma tendência para a regressão das democracias. E no espaço geopolítico ocidental as democracias têm estado sujeitas a forças desagregadoras. A nossa democracia também não é excepção. Um dos factores desta regressão é precisamente o da desconstrução metódica e permanente do consenso liberal democrático que permitiu o florescimento do único espaço de liberdade e de prosperidade que a Humanidade conheceu desde o neolítico, que é precisamente o espaço das democracias ocidentais capitalistas. As extremas (e entre nós fundamentalmente a extrema-esquerda) têm vindo a tentar minar o sistema económico do mercado livre, deslegitimar a propriedade privada, minar a aliança das democracias consubstanciada na NATO, descredibilizar a confiança popular nas democracias representativas, e destruir o projecto integrador europeu. Acima de tudo minando o consenso liberal democrático, através do desgaste constante da harmonia social, dissolvendo o senso comum no mar das obsessões identitárias. Vivemos um tempo em que temos de ser mais activos do que nunca em defesa da democracia. ■