Violência na Saúde: 3 agressões por dia ao longo de 2019

No reverso dos graves problemas que o primeiro Executivo de António Costa não resolveu e deixou agravar, verifica-se um aumento preocupante da violência sobre os profissionais do Serviço Nacional de Saúde. A ministra, que teria preferido fingir que nada acontece, acabou por ser obrigada a prometer medidas de segurança.

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Em fase de balanço, pode mesmo dizer-se que 2019 foi um ano negro no domínio dos episódios de violência contra profissionais de Saúde. Os últimos dados disponibilizados pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) referem que em 2019 foram globalmente reportados 995 incidentes de violência sobre os profissionais de Saúde, sendo que a maioria das notificações respeita a assédio moral ou violência verbal.

O fim do ano de 2019 e o início de 2020 revelou uma tendência de aumento, com vários casos a saltarem para os Media, sendo o mais grave o da agressão a uma médica de Setúbal que teve de ser sujeita a uma intervenção cirúrgica. As fotos da médica foram divulgadas profusamente, e contribuíram para que a opinião pública tomasse consciência do que se está a passar. Mesmo quando a maioria dos incidentes respeita a agressões verbais, estas são inadmissíveis e aumentam a tensão sobre profissionais de saúde já em stress.

Muitos médicos estão agora a fazer força para que sejam instalados botões de alerta nos gabinetes, para que possam ter uma rápida resposta em caso de perigo.

Face ao problema, os partidos do antigo arco da geringonça não questionaram o Governo de Costa – o que seria o normal – num silêncio estranho e comprometido do PCP, BE e PEV. Pelo contrário, o PSD e o CDS querem que seja esclarecida a escalada de violência.

O PSD quer ouvir no Parlamento a ministra da Saúde, Marta Temido, e dez entidades sobre as agressões a profissionais do sector, atribuindo a violência à actual “falência funcional” do SNS. As dez entidades referidas são: Direcção-Geral da Saúde, Inspecção-Geral das Actividades em Saúde, Entidade Reguladora da Saúde, Sindicato Independente dos Médicos, Federação Nacional dos Médicos, Ordem dos Médicos, Ordem dos Enfermeiros, Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, Sindicato Democrático dos Enfermeiros e Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros.

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