A união das direitas faz a força

Por Pedro Borges de Lemos

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O tormentório da esquerda portuguesa está longe de ser a entrada isolada no parlamento do André Ventura.

O verdadeiro medo da esquerda é vir a enfrentar uma união de forças que lhe sejam antinómicas, nunca testada em Portugal.

A perspectiva de que um dia várias tendências com parentesco ideológico, poderão desafiá-la numa frente comum, continua a assombrá-la.

Quando várias vozes, credíveis e intelectualmente válidas, assumirem temas anatemizados pela esquerda, que não se esgotam nos perigos do excesso de islamização na Europa, num maior controlo das fronteiras, nas questões do multiculturalismo, no combate irredutível à ideologia de género, na defesa intransigente da família natural, mas vão muito para além, o totalitarismo cultural da esquerda abrirá fendas irreversíveis.

Foi sempre mais confortável para os sectores conservadores portugueses unirem-se contra do que a favor de algo, mas está na hora de inverter a lógica.

Os erros estruturais cometidos por estes mesmos sectores, que se traduziram na ausência de mobilização agregadora e de coesão orgânica, deram espaço para a esquerda fixar uma posição hegemónica.

O que é paradoxal é que sendo a consensualidade ideológica maior no espetro conservador, as divisões sejam menores à esquerda, onde os críticos orgânicos nunca chegam a fazer escola.

É hora de traçar um projeto amplo e eficaz que federe democraticamente as direitas e que lhes dê um foco comum.

É preciso combater o fatalismo das esquerdas e afirmar a sua transitoriedade, mas para isso é preciso secundarizar egos e trabalhar a bem de um crédito maior: Portugal. ■