A incompetência Súcia Lista que nos ilude há décadas!

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Inicio este artigo com uma reflexão teórica acerca do modelo democrático que até aqui temos tido e que envergonha seguramente qualquer país desenvolvido e digno desse nome.

Em abono da verdade, esta prática e comportamentos não são exclusivos deste partido apenas, no entanto há que ressalvar que assume contornos particularmente preocupantes e dramáticos, porque a maior parte das listas que são preparadas em “petit comité”, e às quais, poucos ou nenhuns têm acesso, ficando a cargo a sua elaboração de uns quantos membros do partido, estão pejadas de súcias, mais do que socialistas como se tem vindo a constatar, infelizmente ao longo dos anos por todos os cidadãos. 

Neste ponto, e para um maior entendimento do que se pretende doravante com esta analogia, faço uma pausa para recuperar o significado da palavra súcia, que é descrito de um modo geral nos dicionários de língua Portuguesa, da seguinte forma: quadrilha, conjunto de malfeitores, reunião de indivíduos de má fama ou índole, bando ou desonestos, estes são alguns dos significados pouco abonatórios, mas extremamente apropriados, desta palavra como substantivo colectivo. Já no que se refere ao singular do adjectivo súcio, este refere-se àquele ou àquela que fazem parte de uma súcia, mas também significa troca-tintas, pândego, enfim, tudo palavras elogiosas. “You get the point”, como dizem os ingleses.

Feita a devida conceptualização e clarificação dos termos usados, podemos então prosseguir, sem correr o risco de interpretações dúbias ou subjectivas, para o assunto principal. Desse modo, transpondo este significado para a nossa realidade política nacional, e atendendo ao facto que durante inúmeros e sucessivos meses temos assistido, não raras vezes, a incontáveis escândalos por parte de vários membros proeminentes deste colectivo partidário, amplamente relacionados a favorecimentos ilícitos, troca de favores, abuso de poder, participação em negócio, má utilização de dinheiros públicos e, claro, suspeitas de corrupção, quer na forma passiva, quer na activa, enfim a (súcia) lista é extensíssima e é composta de facto de práticas e actores pouco idóneos na maior parte dos sectores governativos, tanto a nível local, regional ou nacional, que são posicionados convenientemente, por ordem adequada e elegível, nas várias listas que incorporam, sendo-lhes assim passado um cheque em branco à (con)fiança onde estes posteriormente inscrevem, por vezes em sentido literal, numerários demasiado altos que todos nós temos vindo a pagar com juros, fruto do laxismo, incompetência, falta de ética e de constantes negócios que têm lesado o erário público, no pior dos casos, e no melhor contribuindo activamente para manter um contínuo costumeiro da mesma forma de fazer política, sem qualquer adição ou novidade, senão aquela que os tem colado ao poder vezes e vezes sem conta.

Só assim se explica a disposição curiosamente adequada nas listas, sempre nos lugares cimeiros e elegíveis, de ex-ministros, secretários de Estado e ex-deputados, como foi o caso das últimas eleições nas várias distritais, sendo estas fortemente representadas com nomes bem conhecidos do grande público de várias gerações, sem que o eleitor comum possa verdadeiramente escolher qual dentre estes personagens, que ele revê frequentemente em campanhas estéreis de acto eleitoral em acto eleitoral (pela ordem que lá são colocados na referida lista), seja o mais apto para a função que o partido designou para ocupar, fazendo com que os eleitores fiquem sempre reféns da escolha apriorística e congeminada entre os diversos dirigentes do partido e seus presidentes de concelhia umas semanas antes das eleições. 

Ora isto configura um total desrespeito, não apenas pelo sistema democrático que supostamente deveriam servir, mas também pelo acto eleitoral que se reveste assim de um mero formalismo burocrático ou acto administrativo, sem que tenha realmente um efeito prático concreto no resultado e, o que é pior, viciando a escolha de todos os cidadãos, quer militantes, quer simpatizantes, quer dissidentes, quer eleitores.

Todos, sem excepção, somos enganados na falsa premissa de que temos escolha, e que o nosso voto pode alterar o resultado da equação que já foi determinado milimetricamente à partida, ao fazer corresponder certo e determinado número de votos a um dado elemento da pandilha a que se pretende dar destaque, seja por uma qualquer compensação de um trabalho ou favor que mais tarde é revelado a público e logo abafado, seja pela ausência de neurónios e capacidade analítica ou de capacidade crítica e total servidão para com a causa socialista, seja porque irão contribuir sem qualquer questionamento, através da disciplina de voto, sendo autómatos úteis do sistema, pelo qual se beneficiaram ao serem praticamente eleitos antes de mesmo de o serem, seja ainda como bóia salva-vidas quando estes perdem relevância política em determinado cargo, onde tenham sido colocados, como frequentemente se percebe pela constante “dança de cadeiras”, seja ainda porque se pretendem, no caso do parlamento, escudar através do estatuto de deputado, com imunidade parlamentar, ou seja por qualquer outro motivo que tem um e um só denominador comum, estar sempre nos antípodas do verdadeiro interesse público e nacional, o qual, é relegado para segundo plano e subalternizado aos interesses deste colectivo e dos seus membros, que verdadeiramente controlam as mais altas instâncias de poder, quer dentro, quer fora do seu universo bastante restrito como certos lugares de estado que ocupam estranhamente muitos deles à décadas.

Se todas estas descrições e explanações não fazem ressoar em vós uma profunda semelhança com a comparação que se estabeleceu inicialmente, não sei mais então o que poderá fazer.

Para concluir que o assunto já vai longo estamos perante pessoas, como se vê, de má índole, que se servem do sistema da forma que mais lhes convém, sem qualquer tipo de ética, posicionando pessoas em lugares chave de eleição e premeditando minuciosamente através da ordem estabelecida, o número de pessoas que poderão ser eleitos, ajudando assim a trepar ao pódio aqueles que tenham em mente apenas e só o interesse do colectivo, leia-se partido, e os seus próprios, seleccionando e tendo a capacidade de eliminar e remeter para o esquecimento todos aqueles que ousam pensar diferente ou têm uma voz contrária à sua liderança ou às suas acções, Quanto ao eleitor e militante este apenas assina de cruz (literalmente), ou são vistos meramente como um número nesta lista para aqueles que há anos nos têm feito acreditar e convencer que temos alguma escolha e que com excepcional perfídia nos acusam da nossa acção ou omissão em todo este processo comprometendo-nos e responsabilizando-nos com o resultado que eles próprios planearam. ■