O mundo vive uma onda perturbadora sem uma motivação comum. São países diferentes, vários problemas, regimes divergentes.
O Chile, até seis semanas atrás, era o Estado exemplar da América Latina, com melhor renda per capita, organização administrativa, democracia consolidada. Elegeu, há pouco, um presidente conservador, que já havia sido governante aprovado e é empresário de sucesso. Derrotou a presidente Bachelet, socialista marxista, herdeira das ligações do pai, um militar ligado a Allende, com a Cuba de Fidel. Saiu chamuscada pela corrupção num favorecimento à própria nora, envolvendo um terreno. Mas a solidariedade socialista se fez presente e António Guterres lhe arranjou logo uma posição de destaque e bem-remunerada na ONU. Ela, segundo consta em Santiago, estaria por trás destas semanas de barbaridades, com apoio do novo mecenas do bolivarianismo latino-americano, o presidente do México. O Chile tem uma tradição católica e estranha que o Papa não tenha se manifestado em relação à queima de duas igrejas emblemáticas no país. A de N. S. Assunção, padroeira do país, em que, além do fogo, uma imagem da Nossa Senhora foi decapitada e jogada na rua. E outra, a Basílica, onde estava guardada, e salva milagrosamente, uma relíquia da cruz de Cristo.
Na Bolívia, o presidente-ditador, Evo Morales, afrontou a todos com uma candidatura para um novo mandato não aprovado de consulta popular. Mas a Bolívia vinha bem na economia, explorando direito o petróleo e o gás, embora sem a livre empresa e tendo mesmo desapropriado uma refinaria brasileira, da Petrobras, com a conivência do então presidente Lula da Silva. A economia foi fortalecida também pela omissão governamental na venda de cocaína e maconha para o Cartel de Medellín, o que explica a região cocaleira ter sido a única a manifestar solidariedade a ele. Agora, a Bolívia volta a se integrar aos países democráticos, rompendo com Cuba e Venezuela e reatando as boas relações com os EUA, a vizinha Colômbia e o Brasil. Nesta volta à ordem na Bolívia, não faltaram manifestações de censura da sra. Bachelet, repetindo o que já havia feito em seu país. A chamada grande imprensa se referiu a estes acontecimentos de maneira muito discreta, mas deram grande destaque às observações da sra. Bachelet em favor dos manifestantes.
Em Hong Kong, as manifestações prosseguem, na defesa das liberdades democráticas do território e pela sua independência em relação à China, a qual se reintegrou há 20 anos. Mas a China, mais dia ou menos dia, vai entrar para valer e sufocar as manifestações, numa prévia de sua invasão a Taiwan. Sempre com a conivência da esquerda internacional e do oportunismo equivocado do grande capital.
O mundo assiste à desagregação da França e, em especial, de sua capital, Paris, cidade mais adorada e desejada do mundo. Hoje, o turismo vem caindo, pela presença de carteiristas, drogados, com sucessivas greves em serviços essenciais, como trens, e actos de barbárie, como os da semana passada. A França resiste às reformas laborais e à modernização do Estado. E paga o preço da perda da identidade nacional pela proliferação de áreas, em suas dez maiores cidades, de zonas em que já nem se fala o francês. Falta um De Gaulle…
Para o mundo liberal, democrático, conservador, cristão, o mais chocante, sem dúvida, é o que se passa na Espanha. Depois de sacarem o responsável pela sua unidade e pela não incorporação à antiga URSS, o Generalíssimo Francisco Franco, de sua sepultura, violando uma Basílica da Igreja Católica, 44 anos depois de sua morte, assistem agora à formação de um governo com a presença forte de radicais de esquerda, herdeiros dos autores do paredón que, em 1936, matou parte da nobreza e da burguesia madrilena residente no bairro Salamanca, que, hoje, repousa no Cemitério de Paracuellos, nas imediações da capital.
E, por fim, mas não menos importante, os EUA vivem essa ofensiva incensada pelos Media mundiais para a derrubada do presidente Trump, que vem recuperando a economia, o emprego, o salário, a firme posição ao lado de aliados tradicionais como Israel. A esquerda do Partido Democrata não é mais light como no passado e, sim, muito próxima das esquerdas marxistas da Europa. ■




