António Costa, o Irresponsável

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Durante a monarquia os reis tinham cognomes que eram, de alguma forma, uma tentativa de resumir numa palavra o que os distinguia na governação do reino. Assim sendo, não há dúvida de que em regime republicano a António Costa cabe a designação de o Irresponsável. Talvez que tenha mesmo atingido o ponto mais visível dessa irresponsabilidade quando recentemente anunciou em plena Assembleia da República que tinha um grande ministro em Eduardo Cabrita. 

Os casos de incompetência, de desleixo e de irresponsabilidade de Eduardo Cabrita não têm conta. Os casos do SIRESP, dos KAMOV, da morte do emigrante no aeroporto de Lisboa, das golas antifogo, de Odemira e dos emigrantes que enchem as pensões de Lisboa e que desaparecem, são apenas alguns dos exemplos mais conhecidos. Para Eduardo Cabrita e António Costa, resta a tentativa de transformar a realidade na fantasia grotesca que não se cansam de tentar vender aos portugueses, com algum sucesso diga-se. 

A irresponsabilidade de António Costa não se limita a Eduardo Cabrita, de facto ele nunca assumiu a responsabilidade por coisa alguma. Recordemos que nunca assumiu a responsabilidade do PS e da grande família socialista pela governação do PS e pelos actos de corrupção em que José Sócrates esteve envolvido. Igualmente pelos fogos de 2017 e pelas mortes que deles resultaram, ou pela inoperância do SIRESP, em que António Costa foi o responsável directo pelo negócio. Ou pelo desastre operacional e financeiro dos KAMOV.

Mais recentemente, durante a pandemia, António Costa nunca assumiu qualquer responsabilidade. Nem pelas filas de ambulâncias às portas do Santa Maria, nem pelas mortes desnecessárias de milhares de idosos nos lares, nem pela confusão inicial no caso da vacinação. Igualmente sobre a corrupção, provavelmente o mais grave problema que afecta o PS, o Estado e a sociedade portuguesa, António Costa convive com todos os casos que vão sendo conhecidos como se não existissem, escudando-se com a Justiça. Para António Costa não existe o domínio da responsabilidade ética, ou da responsabilidade partidária, quando sabemos que na maioria dos casos de corrupção estão envolvidos socialistas e mesmo governantes escolhidos por ele. Nada afecta o sentido de responsabilidade de António Costa, em tudo ele passa por entre os pingos da chuva. Irresponsabilidade ou esperteza política? Os portugueses que decidam, pessoalmente considero António Costa um caso extremo de irresponsabilidade. 

Futebol

O Sporting ganhou o campeonato com absoluto merecimento, em particular deu um exemplo ao país daquilo que os portugueses podem fazer quando usam a seriedade, alguma modéstia e, principalmente, recorrem à formação e utilizam o conhecimento e o trabalho como a forma útil de subir na vida, não dependendo para isso do Estado e quando a maioria dos outros clubes de futebol, o Benfica em particular, recorrem às habituais contratações no estrangeiro, que são a forma útil de realizar proventos rendosos para muita gente, razão de ser da concorrência existente para as presidências dos clubes de futebol. Felizmente, o Sporting recorreu principalmente ao que tinha em casa.

Entretanto é bom não esquecer que o futebol é um aliado precioso do poder político em Portugal. António Costa, como outros antes dele, utiliza essa aliança ao limite, uma das formas preferidas de popularidade. Não por acaso, António Costa é um importante e reconhecido apoiante daquele senhor que esteve recentemente na comissão de inquérito da Assembleia da República, Luís Filipe Vieira, que, tal como o Primeiro-ministro, mostrou à saciedade até onde pode chegar a irresponsabilidade pessoal e a falta de decoro. Deus os fez, Deus os juntou.

A Reforma das
Forças Armadas

De acordo com o seu reconhecido objectivo de concentração de poderes, o Governo tem em marcha uma “Reforma do Comando Superior das Forças Armadas”, que pretende concentrar em apenas um chefe militar os poderes de intervenção, mas também de transparência, que até agora são inerentes aos chefes dos três ramos na sua potencial diversidade. Fiel à sua tradicional honestidade intelectual e seriedade política, Ramalho Eanes e um amplo grupo de vinte e oito militares opõem-se, acusados pelo ministro da Defesa de intenções corporativas. 

Concordo que num país diferente e com fortes instituições democráticas, a reforma possa fazer sentido por razões de eficiência operacional. Todavia em Portugal, uma democracia de fachada, em que as pessoas facilmente se curvam ou se deixam comprar pelo poder político, uma única pessoa a responder pela instituição militar é meio caminho andado para que as Forças Armadas se tornem em mais uma instituição ao serviço dos partidos e dos governos. Para mais, sabendo-se que o actual Presidente da República não prima por ser um garante eficaz da Constituição e do respeito pela transparência democrática.

Infelizmente, neste caso Rui Rio não tem razão em basear a sua posição relativamente a esta reforma na tradição do seu partido. Entre outras razões porque nunca como agora tivemos uma tal concentração de poderes: no Estado, nas instituições da sociedade, na Justiça e mesmo em empresas privadas sob a influência dos favores do Estado. Juntar as Forças Armadas à lista será um péssimo serviço feito à defesa da democracia. 

Migrações

No próximo futuro tratarei este tema com maior detalhe dada a sua importância na definição política e geoestratégica da União Europeia e também de Portugal. Para já, apenas uma nota para chamar a atenção para a hipocrisia existente no PS, no Governo e nos partidos da extrema-esquerda quanto a este assunto. Ao fazerem desta questão uma oportunidade para a propaganda política, na tentativa de transformar Portugal num caso exemplar de tratamento dos imigrantes, o Governo não quer, ou não sabe, controlar a chegada de mais estrangeiros transportados pelas máfias internacionais, muitas de origem islâmica, para depois os deixar entregues à sua sorte em condições tão miseráveis, como os milhares de portugueses a viverem na pobreza mais degradante.

O caso de Odemira é exemplar, porque existindo e crescendo ao longo dos anos sem qualquer acção do poder político, por força da pandemia teve maior atenção dos meios de comunicação e, sendo essa a habitual razão para a acção do Governo, logo os ministros dispararam em todos os sentidos, alguns tão obscenos como uma requisição civil reprovada nos tribunais, mas executada com polícias armados, cães e imigrantes ensonados e surpreendidos pela calada da noite. Imigrantes que estavam apenas a cumprir a sua função de poupar dinheiro para enviar às suas famílias, o que não estará muito longe do que acontece a muitos portugueses que não encontraram em Portugal as condições mínimas de sobrevivência.  

Por todas estas razões, um número elevado de imigrantes vem escolhendo Portugal como porta de entrada fácil, mas não de residência. Conhecem suficientemente bem que Portugal não lhe oferece um futuro condigno, se nem sequer aos portugueses, preferindo por isso, logo que possível, também eles, procurarem outras paragens. ■