Subversão do Estado: o sistema, os jotas e o carreirismo político

“Soares, Sá Carneiro e Freitas juntaram-se a Cunhal e cunharam um sistema que viria a perdurar. Um sistema fechado sobre si próprio, um sistema hoje obsoleto que, fruto do mesmo exacto PREC que tantas atrocidades cometeu, criou os chamados partidos do chamado ‘arco da governação’ e foi aproveitado por estes com imediato sentido de oportunidade. Este sistema fechado e caduco mantém-se até hoje”

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Continuamos a analisar as causas da ilegitimidade e falhanço do sistema democrático português. Após quarenta e seis anos deste regime, atingiu-se o mais baixo ponto de um sistema enquistado, centrado nos partidos, o primado dos jotas.

Na sua ingenuidade revolucionária, os juvenis militares do 25 de Abril deixaram-se enganar por alguns senhores e pelo partido comunista de então. 

Note-se que o partido comunista, pela sua história e tradição de combate e organização, acreditava que tiraria grandes proventos deste sistema político e engendrou uma forma de democracia partidocrática em que o seu “centralismo democrático” se imporia ao país saído da revolução de 1974.

Todavia, o PS de então, aliado ao PPD de Sá Carneiro, frustraram em grande medida as tentatações hegemonistas do PCP, acabando a constituição de 1975 por admitir um sistema eleitoral partidocrático que, apesar do conselho de revolução, que mantinha ainda alguns poderes, estaria condenado a uma extinção mais ou menos rápida.

Como em grande parte da sua análise histórica, o partido comunista enganou-se. 

Portugal pertencia à esfera americana e os russos não queriam alterar esse balanço. Nunca poderia cair num regime dominado pelos comunistas. O povo português era maioritariamente anti-comunista e tornou-se ainda mais, devido aos excessos revolucionários de PREC. 

No entanto, a natureza tem horror ao vazio, e em política essa máxima ainda tem mais força. O sistema partidário preencheu-se com o que havia: Soares, Sá Carneiro, Freitas do Amaral, homens nem por isso muito brilhantes ou inteligentes. 

A morte prematura e nunca esclarecida de Sá Carneiro serviu para criar um mito, mas, provavelmente, morreu nesse desastre/atentado um dos melhores estadistas desses conturbados tempos. 

Juntaram-se a Álvaro Cunhal e cunharam um sistema que viria a perdurar. Um sistema fechado sobre si próprio, um sistema hoje obsoleto que, fruto do mesmo exacto PREC que tantas atrocidades cometeu, criou os chamados partidos do chamado “arco da governação” e foi aproveitado por estes com imediato sentido de oportunidade. 

Este sistema fechado e caduco mantém-se até hoje e é o grande resquício histórico do PREC, como mais tarde a história virá a confirmar. 

Logo em 1975, o sistema, novo e virgem, começou a ser visto pelos oportunistas, carreiristas, escroques, gente sem profissão, jovens preguiçosos e pouco dotados para os estudos, como uma forma de ascensão social, como uma forma de atacarem o bolo do poder nas suas múltiplas facetas, desde os ministérios, às câmaras, governos civis, direcções-gerais.

A luta de cães nas bases em busca de ascensão foi colmatada, no início, pelo recrutamento directo para o topo de homens com formação académica e alguma inteligência. É o caso de Marcelo Rebelo de Sousa, para dar apenas um exemplo.

No entanto, a base da força dos partidos actuais começa com as chamadas jotas. Jovens ambiciosos começaram a entrar para os partidos e a jogar os joguinhos do poder nas suas academias e estruturas locais. Dedicados aos partidos, pouco disciplinados para os estudos e o trabalho, construíram carreiras sem qualquer feito curricular, nunca escreveram livros, como até o nulo Manuel Alegre fez, nunca tomaram qualquer decisão arrojada ou de destaque no interesse do povo português; e chegaram hoje ao poder, apenas devido ao tempo passado e não a qualquer mérito que não o jogo da intriga partidária. 

Foram assessores de assessores, colocados como lacaios com poder em direcções e empresas públicas, foram acumulando prebendas e lugares. É esta escória que hoje domina o aparelho de Estado em Portugal, país do sul, país naturalmente corrupto e votado ao nepotismo, que nestes quarenta anos nunca premiou o mérito mas sim as lealdades de ocasião e os negócios de interesses. 

Um dos exemplos mais interessantes é o da actual ministra da cultura, uma carreirista que chega ao topo da governação sem nunca se ter distinguido particularmente em qualquer área que não a da carreira política.

É esta turbamulta produzida pelos partidos que governa sem tino Portugal. São conduzidos por caudilhos, como António Costa, obedecendo às cartilhas económicas que procuram beneficiar apenas o sistema financeiro em detrimento das pessoas, políticas alimentadas pela transumância entre partidos e bancos e grandes empresas do regime. 

Se juntarmos a isto os políticos pimba nascidos e criados nas autarquias, foco maior da corrupção em Portugal, temos um caldo de cultura notável para a corrupção de todo o sistema, com prejuízos incálculáveis para o povo português que paga esta camarilha toda.

É esta escória que é necessário limpar sem dó nem piedade do sistema político. Infelizmente, esta escória é fruto do país. É urgente que o país se levante de novo e que surja um punhado de homens que seja capaz de pôr termo a esta situação, o mesmo punhado que, desde sempre, fez Portugal. Se uma centena de homens ganhou a batalha do Passo de Cambalão, ainda existirão três brigadas capazes de salvar Portugal? 

Basta esse número de militantes motivados para levar um novo partido ao governo e a começar a ganhar base para subverter o regime actual. Ainda existirão forças políticas capazes desse feito?

Discutireremos esse e outros assuntos na próxima edição. ■