“Polígrafo” ou muleta da TAP e do Governo?

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Os voos britânicos para o Algarve cresceram 30 vezes na semana passada, segundo fonte oficial da NAV Portugal, mas não foi graças à TAP. Com a bem gerida Ryanair é mais barato vir de Birmingham, na Inglaterra, até Faro, uma distância de 2.500 km, do que percorrer os 300 km que a separam de Lisboa com a CP, mal gerida pelos políticos.

Aliás, mais empresas públicas à responsabilidade de ministros e seus assessores “formados” na juventude socialista esbanjam dinheiros públicos irresponsavelmente, incapazes de competirem com empresas geridas por gestores com a formação e qualificação apropriada. 

De Inglaterra, a TAP cobra, muitas vezes, de 300 a 1.000 por cento mais que a Ryanair, pelo que, ao quilómetro, pratica os mesmos preços da CP. Ainda por cima o serviço da TAP é pior que o da concorrência, já que não voa directamente, ponto a ponto, de variadíssimas cidades britânicas para o Algarve. É um facto lamentável, mas inegável, que mesmo com Portugal na lista verde britânica desde 17 de Maio, a TAP não teve um único voo directo do Reino Unido para Faro. Zero. Nada. “Nothing”. Isto é facilmente comprovável no “site” oficial da ANA ou no da Flightradar 24. A 24 de Maio, por exemplo, chegaram 37 voos a Faro, mas nenhum internacional da TAP. A esmagadora maioria das rotas para a capital algarvia são asseguradas pela Ryanair, a Easyjet e a Transavia. A TAP, nesse dia, só teve dois voos vindos de Lisboa. Ridículo. 

Ora estes factos, que se saiba, não interessam ao governo. Assim, em Portugal, parece que os governantes têm ao seu serviço um “Polígrafo”, que ultimamente pende sempre para o lado de afirmar como verdadeira a propaganda vinda do governo – composto por gente “formada” na juventude socialista, que quer esconder a sua incompetência. No entanto, as realidades oriundas da sociedade civil, mesmo da mais qualificada, cosmopolita e informada, se puserem em causa esse governo, ou são “imprecisos”, ou não são sequer analisados, quando a verdade dói e tem grande impacto. Como, por exemplo, o facto que os britânicos não virem de férias na TAP, porque esta vive a gastar milhares de milhões dos nossos impostos, logo não está para trabalhar a ter voos ponto a ponto, directos do Reino Unido para Faro, como as outras companhias fazem para atrair e bem servir milhares de clientes que diariamente vêm para o Algarve.

Apresento factos que desafio o “Polígrafo” da SIC a desmentir. Domingo, 23 de Maio, viajei directo de Birmingham para Faro pagando dez libras pelo voo de ida na Ryanair. Isto enquanto quem viajasse na CP no mesmo dia, de Lisboa para o Algarve, pagaria cerca de 20 euros. Os voos da Ryanair vindos de Londres estavam também a 10 libras. Na mesma altura em que comprei o meu bilhete verifiquei que os voos TAP Londres-Faro custavam 80 libras. Ainda por cima não eram directos, como muitas das outras companhias ofereciam, voando de ponto a ponto, como esperam actualmente os clientes. Os turistas britânicos e emigrantes portugueses residentes no Reino Unido que quisessem vir aproveitar o sol do Algarve, além de pagarem muito mais caro na TAP tinham, ainda por cima, que perder tempo numa escala na Portela. Incrível. Uma companhia que recebe milhares de milhões de euros dos contribuintes não está para bem servir nem turistas, nem emigrantes, logo não é competitiva, nem é capaz de os atrair.

Portanto, é indubitável que a grande maioria, ou praticamente todos os milhares de britânicos, que a partir de 17 de Maio começaram a chegar ao Algarve, o fizeram em companhias que não a TAP. Poderá ter havido uma ou outra alma perdida que tenha querido pagar mais, para além de ser obrigado a passar pela Portela. Mas esses seriam casos raros. Insistir nessa excepção em vez da regra geral, como o “Polígrafo” fez, ao dizer que era “impreciso” afirmar que milhares de britânicos não usavam a TAP para vir para o Algarve, cheira a ardil chico-esperto “à Costa”.

Como já referimos, segunda-feira, dia 17 de Maio, começaram muitos voos para Faro. Este foi o dia em que o nosso país entrou para a lista verde britânica, que permite viajar desde Reino Unido sem quarentena no regresso, mas com um total de três testes de Covid-19, mesmo para quem já tenha completado as duas doses da vacina. É um facto inenarrável, mas indubitável que a TAP vende bilhetes mais caros que a concorrência para Faro e, ainda por cima, acha que os britânicos que querem as praias e o sol do Algarve, em vez de voar ponto a ponto directamente como com as outras companhias, devem estar para perder horas e tempo precioso de férias, especialmente nesta altura de Maio – época de fins-de-semana prolongados, pontes de feriados, ou miniférias no Algarve –, no aeroporto da Portela, a mudarem de aviões e à espera de seguirem, finalmente, para Faro. Toda esta trabalheira é exigida aos passageiros só porque é mais cómodo e simples para a TAP parar na Portela. Se a companhia nacional recebe milhares de milhões dos nossos impostos, para quê importar-se com a qualidade do serviço ou capturar clientes à concorrência? 

Um artigo do autor destas linhas publicado na semana passada noutro jornal, o “Observador”, teve um impacto significativo com quase três mil partilhas em poucos dias. Aí referi, pela primeira vez, estes factos que sugerem que a TAP está transformada num negócio ruinoso com a contribuição de políticos inqualificados. 

Ora notícias e factos verdadeiros que põem em causa o poder são uma dor de cabeça para os poderosos. Presidentes como Bolsonaro ou Trump e ministros como Pedro Nuno Santos ou o Primeiro-ministro Costa chamam-lhes “notícias falsas” e encomendam contra-notícias na comunicação social que controlam com o nosso dinheiro, para tentarem enganar a população e disfarçarem a incompetência.

Assim, o “Polígrafo” não teve coragem de enfrentar directamente a verdade deste vosso autor sobre a inutilidade da TAP para o turismo algarvio. Isto como também não teve coragem de me desmentir quando, em Abril de 2020, escrevi um artigo partilhado quase 120 mil vezes sobre a incompetência do governo na pandemia. Desta forma, esta semana, no caso da TAP, o “Polígrafo” inventou um subterfúgio para tentar lavar a cara e as mãos dos governantes. Como substituto, mas tendo como alvo principal o impacto do meu artigo, foi buscar uma publicação do “facebook” com menor receptividade em termos de audiência.

Esta insistia no mesmo ponto do meu artigo sobre a incompetência da TAP. Afirmava-se que “chegaram cinco mil britânicos ao Algarve no dia 17 de Maio, mas nenhum foi transportado pela TAP”. Essa publicação exibia também as tabelas que demonstravam inúmeros voos directos da Ryanair, da EasyJet e da Wizz do Reino Unido para Faro, mas nem um único voo da TAP. Ora o “Polígrafo”, ardiloso, em vez de referir que, infelizmente, regra geral, o teor do que estava descrito era verdadeiro, relevante e assustador para as contas públicas, classificou-o de “impreciso”, porque poderia ter havido uma ou outra excepção. Ora, com certeza não deve haver muitos britânicos que gostem de pagar mil por cento mais caro e perder tempo na Portela quando querem vir para o Algarve! Os dependentes da política a cargo da TAP agradecem ao “Polígrafo”!

O ministro responsável pela companhia aérea, Pedro Nuno Santos, vindo da juventude socialista, e o presidente do conselho de administração da TAP, Miguel Frasquilho, vindo do falido BES enquanto simultaneamente deputado da nação (tamanha promiscuidade!), devem achar que os britânicos são tão indefesos e sem alternativa – como os contribuintes portugueses – para aceitarem pagar tudo a todos, sem bons serviços em troca! ■