EVA CABRAL

O ‘caso Manuel Vicente’ está a minar as relações de Portugal com Angola. Os homens-fortes de Luanda não querem entender que num regime como o português existe uma efectiva separação de poderes entre o político e o judicial e que o Governo de Lisboa não tem qualquer influência sobre as decisões dos magistrados, não podendo de todo interferir no julgamento do político angolano. Mas o novo Presidente de Angola, João Lourenço, insiste em mostrar o seu profundo desagrado com o caso, desde logo numa conferência de Imprensa em que fez o balanço dos seus primeiros cem dias de PR.

A ideia do regime angolano é pressionar, quase que chantagear, o Executivo português. Uma situação complexa para Portugal, já que neste momento se estima que vivam em Angola mais de cem mil portugueses, e que são inúmeros os investimentos directos feitos naquela ex-colónia, bem como as trocas comerciais.

Também Marcelo Rebelo de Sousa está preocupado, e chamou ao caso “o único irritante” com Angola, quando ali se deslocou para a posse do novo Presidente angolano. As relações entre os dois países estão num limbo,

O início do julgamento do ex-vice-Presidente de Angola está marcado para 22 de Janeiro, no Tribunal Judicial de Lisboa, depois de a juíza de instrução ter confirmado os crimes constantes na acusação e mandar para julgamento Manuel Vicente, por corrupção activa em co-autoria com Paulo Blanco e Armindo Pires, branqueamento de capitais em co-autoria com Paulo Blanco, Armindo Pires e Orlando Figueira, e falsificação de documento, com os mesmos arguidos.

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