PS vitorioso, PSD derrotado, PCP em queda, CDS-PP com prémio de consolação, BE irrelevante, independentes em alta, “dinossauros” de regresso. As novas leis de descentralização fizeram destas as eleições autárquicas mais importantes de sempre – mas o eleitorado foi mantido na ignorância do avanço inexorável de um plano de regionalização encapotado; e o resultado está à vista.

António Costa terminou a noite a sorrir. Com os seus mandatários estrategicamente colocados nos principais centros autárquicos do País, o primeiro-ministro pode agora continuar com o seu programa de regionalização (que este jornal atempadamente denunciou) disfarçada sob a capa de descentralização. A única grande diferença é que as “regiões” passarão a ter nomes como “comunidades intermunicipais” e “comunidades de coordenação e desenvolvimento regional”, e vão ser controladas por colégios eleitorais de ‘aristocratas’ autárquicos em vez de o serem por organismos directamente eleitos pelos cidadãos.

Estava previsto que as primeiras eleições indirectas nas “regiões” se realizassem após as eleições autárquicas, mas o PS decidiu esperar antes de aprovar a nova legislação, que tenciona ter pronta já em 2018. Agora que sabe que controla o mundo autárquico, António Costa prepara-se para cimentar o domínio do PS sobre o País.

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