O milagre da multiplicação dos Metros

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António Costa, primeiro-ministro, sacou da cartola seis estações de Metro para Lisboa.

É conveniente situar: a capital é uma cidade parada, imóvel, encravada pela loucura anti-automóvel que atacou todos os políticos da esquerda militante que ocupa a sede municipal, epidemia que começou com a própria vereação Costa. De facto, o despejar de muitíssimos milhões de euros de dinheiros dos turistas e dos lisboetas, despojados da sua própria cidade pelas negociatas associadas ao boom do turismo, no sistema de trânsito da cidade destina-se, sobretudo, a impedir o automóvel de circular.

Esqueceram-se os senhores que governam a cidade de Lisboa que seria conveniente melhorar o sistema de transportes públicos antes de acabar com o automóvel. As dezenas de milhões de euros gastos nos eixos centrais e previstos para a segunda circular, que se seguirá após as eleições, teriam sido muito mais proveitosos se gastos no Metropolitano de Lisboa, de forma a recuperar a circulação na casa dos mais de setenta quilómetros por hora (que, por razões de segurança, não passa agora dos quarenta e seis por hora), modernizar o material circulante, recuperar as composições avariadas, repor as seis carruagens onde agora apenas circulam quatro ou três. A prioridade deveria ter sido recuperar os mais de cem milhões de passageiros perdidos.

Depois de recuperar esses passageiros, lisboetas e portugueses que precisam do Metro para ir para o trabalho ou levar os filhos à escola ou para fazer compras, o objectivo seria dotar o Metro de condições para transportar pessoas e bagagens, uma vez que agora os turistas que assaltam Lisboa também assaltam o Metro e os lugares disponíveis com milhares de malas, sacos e volumes diversos que impedem a circulação dos habitantes locais. Recuperar estações, arranjar (entre outras coisas) infiltrações, escadas rolantes, elevadores avariados, cuidar da higiene, limpar grafitis, tirar o cheiro a urina que conspurca os corredores, isso sim, seria um plano verdadeiramente ambicioso!

Dotar a cidade de transportes rodoviários decentes e confortáveis, incluindo o autocarro e o eléctrico, que seria reposto em grande parte da cidade, fiscalizar a sério o estacionamento selvagem e em segunda fila, permitiria a circulação destes transportes e levaria a uma enorme recuperação de público nos transportes públicos, sem esquecer uma rede séria, digna e eficiente de transportes escolares.

Depois de dadas alternativas dignas é que faria sentido atacar o excesso de circulação automóvel. Começou-se pelo telhado da casa, primeiro faz-se a vida de toda a gente um inferno. Apenas os atletas sem filhos para deixar nas escolas se podem dar ao luxo da alternativa que Medina quer obrigar todos a usar: a bicicleta. Num acto de verdadeiro autismo que esquece os declives acentuadíssimos da cidade e a ausência de condições para parquear os velocípedes e para tomar banho e mudar de roupa nos empregos, constroem-se ciclovias que quase ninguém usa e fazem-se planos para bicicletas partilhadas que custam mais de duas dezenas de milhões de euros.

Vem agora, em vésperas de eleições, o amigo Costa prometer seis estações novas de Metro, quando tem o sistema actual avariado e sem composições para as estações que já existem. Logo a seguir, para esmagar a concorrência, Assunção Cristas manda para o ar vinte estações de Metro. Atendendo a que os políticos estavam todos em Fátima, será que foram pedir aos novos santos Jacinta e Francisco o milagre da multiplicação dos Metros?

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