Portugal tem, inegavelmente, crescido tanto no ano de 2016 como neste ano de 2017. Esse crescimento deve-se sobretudo ao aumento das exportações, facto aparentemente positivo, mas que é também extremamente enganador. Este crescimento é nominal, não é estrutural, como António Saraiva tão bem afirma neste mesmo jornal.

O crescimento das exportações deve-se ao facto de o turismo ser incluído no mercado internacional: as vendas de serviços locais ao estrangeiro figuram nas estatísticas como exportações, quando de facto são vendas de serviços.

A economia portuguesa está, assim, cada vez mais assente na cultura do aluguer do nosso melhor ao estrangeiro, na expulsão dos portugueses dos melhores locais das cidades, da exploração serviçal dos nossos recursos humanos. A cultura portuguesa assenta, pois, na cultura da criadagem, o turismo em Portugal está associado a emprego desqualificado, ao despojamento dos nossos valores, à inacessibilidade ao melhor que Portugal tem para ser entregue a endinheirados estrangeiros.

É evidente que numa altura em que não produzimos nada, em que a nossa agricultura estagna, em que a nossa ciência está em retrocesso e em que a nossa indústria continua estagnada sem progressos ou invenções tecnológicas de vulto, o turismo será uma espécie de tábua de salvação, como o ouro do Brasil foi antes, como o negócio das especiarias foi antanho.

No entanto, basear a economia portuguesa no turismo é baseá-la numa base análoga à escravatura; o turismo traz benefícios de curto prazo, mas não traz qualificação.

Deixamos aqui algumas ideias com custos muito baixos, mas que implicariam uma importante mudança de mentalidades, coisa muito difícil num país anquilosado como Portugal. Para Portugal se desenvolver de forma sustentável, seria necessária uma Justiça simples, ágil e rápida. Um país em que se perdem dez anos para cobrar uma dívida comercial não é um país, é uma anedota.

Outra forma de desenvolver o país seria reduzir drasticamente os impostos à inovação e base tecnológica e científica se incorporada na indústria, bem como reduzir a enorme quantidade de organismos regulamentares. Para fazer uma fábrica de cerveja artesanal é preciso lidar com os Ministérios da Economia e do Ambiente, Câmaras Municipais, Junta de Freguesia, bombeiros, Finanças e, extraordinário, a própria alfândega, para além do registo das pessoas colectivas e obtenção da marca! Deveria haver apenas uma entidade licenciadora que organizasse todo o processo.

Finalmente, os custos energéticos são brutais e asfixiam completamente a indústria portuguesa; a electricidade, em particular, é das mais caras da Europa; corrupção endémica, promiscuidade entre Estado, em Governos sucessivos, e interesses privados têm feito das tarifas da electricidade pasto para abutres que prosperam à custa de todos os portugueses, à custa do desenvolvimento e favorecendo o atraso endémico de Portugal. O que se passa com as rendas energéticas é um dos maiores factores de atraso da economia portuguesa. É um imposto escondido que nem sequer é entregue aos restantes portugueses em benefícios como Educação e Saúde. É um imposto escondido para entregar os seus proventos a um grupo de privilegiados que continua a piratear Portugal e os portugueses. Nem na Sicília existe algo assim!

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